Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca
O comportamento do consumo tem sofrido grandes alterações graças as milagrosas “canetas emagrecedoras”. Medicamentos que não reduzem apenas o apetite, mas também o consumo por impulso e os desejos pelo excesso.
Esses medicamentos vêm desenhando uma nova dinâmica social. Em 2026, estima-se que 27% dos lares brasileiros tenham ao menos uma pessoa que faz uso da injeção mensalmente. O impacto é visível: menos exageros, menos gula, menos vontade de “pedir mais uma”.
Em São Paulo, alguns restaurantes já adaptaram seus cardápios, reduzindo porções para atender melhor a esse novo público e evitar desperdícios. Mas o que poucos imaginavam é que o vinho seria um dos maiores beneficiados dessa mudança.
Uma pesquisa norte-americana de 2025 revelou que, embora o consumo total de vinho tenha caído 8,7% em volume, o consumo de vinhos premium — acima de 30 dólares a garrafa — cresceu de forma consistente. O excesso perdeu espaço para a qualidade.
Enquanto categorias movidas por impulso, como fast food, snacks e doces, enfrentam queda, o vinho mantém seu lugar à mesa. Isso porque ele não é apenas uma bebida alcoólica: é experiência, é ritual, é socialização.
No Brasil, o movimento é semelhante. O consumo de vinho vem crescendo há três anos consecutivos — e, mais recentemente, o valor médio da garrafa também subiu. Isso mostra um consumidor mais consciente, que quer beber menos, mas beber melhor. Um fenômeno curioso no país da cerveja gelada e do copo sempre cheio.
Embora as canetas tenham acelerado essa transformação, os mais atentos já percebiam o movimento há algum tempo. A geração “zero álcool”, o interesse crescente por bem-estar e a vida ativa vêm moldando novos hábitos. Não por acaso, a produção de espumantes sem álcool cresceu impressionantes 88% no país.
Se há aumento na produção, houve aumento no consumo. E se engana quem pensa que o vinho sem álcool possui preços mais acessíveis. A custosa produção dele faz com que seu valor final seja acima da média do que se espera pagar em um exemplar desse vinho.
A verdade é que o impulso diminuiu, e o valor da experiência aumentou. Hoje, o consumidor pensa duas vezes antes de abrir uma garrafa. Afinal, se é para gastar calorias — ou o raro apetite — que seja com um vinho bom.
E quem entender que, para o vinho, o luxo não é o rótulo caro e sim a escolha certa, entenderá uma nova lógica se formando no mercado de consumo, e vai assim, poder brindar com sucesso.
Um brinde que faça valer as calorias e até A Próxima Taça.




