Os campeões do Carnaval

Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

Depois que as alegorias e o samba-enredo cruzam a avenida, os olhares atentos e apaixonados pela época mais emblemática do nosso País, se voltam para a apuração dos votos.

Entre bateria, harmonia, enredo, fantasias e a avaliação de outros critérios técnicos e artísticos muito bem definidos pelo regulamento, temos a campeã do Carnaval!

E enquanto eu assistia à apuração deste ano, via no semblante dos carnavalescos a mesma paixão que vejo em um produtor de vinhos que atinge excelente pontuação na qual seu vinho se enquadra.

Então eu pensei: o que tem a ver a campeã do Carnaval com o campeão da confraria?

Talvez o mesmo critério que faz um vinho ser o melhor do mundo naquele ano — em sua categoria — transforme também, a escola de samba em uma campeã: a persistência na perfeição.

Durante décadas, no mundo do vinho, essa busca era medida por critérios que formavam um conjunto de fatores técnicos como os do carnaval, e os vinhos que ganhavam relevância internacional, estavam concentrados nesses fatores restritos.

Infelizmente hoje, movidos pelos valores recebidos nas taxas de inscrição, os concursos têm acontecido em escalas industriais e distribuído selos oportunistas.

Com isso, essa inflação de prêmios estampados nos rótulos e nas paredes de todas as vinícolas revelam muito mais sobre um marketing bem desenvolvido para se aumentar o valor do produto do que sobre o conteúdo da garrafa.

Mas como o Carnaval acontece para além das avaliações técnicas, o vinho também é algo que não deve ser medido apenas pelas medalhas do seu rótulo. Por isso, saber o que nos agrada em um vinho, é fundamental para desfrutá-lo.

E assim como no Carnaval, alguns termos técnicos são usados para analisar o vinho. Embora pareça “frescura”, esses termos nos ajudam a descrever as sensações que estão relacionadas a ele.

Por exemplo, quando falamos que um vinho é macio, estamos nos referindo a seu tanino suave que não agride a gengiva, e quando o chamamos de rústico, queremos dizer o contrário.

Já se o vinho é vibrante, na maioria das vezes o relacionamos a acidez, aquela sensação de frescor que faz a gente salivar. Ao contrário de um vinho quente, que além da temperatura, está com o seu álcool aparecendo mais do que deveria, e a gente o sente na garganta.

Agora se falamos que o vinho é pesado, é uma maturidade excessiva que pode tornar o vinho até enjoativo.

No fim, buscamos no vinho um equilíbrio, e quando uma de suas quatro bases — tanino, acidez, álcool e maturidade — domina, o vinho estará desequilibrado.

E acredite, esse equilíbrio pode ser encontrado até mesmo naquele vinho acessível, sem nenhuma medalha no seu rótulo, tornando o vinho assim, uma bebida tão democrática quanto o Carnaval.

Um brinde e até A Próxima Taça.

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