Como denominar a força do amor paternal? Qual é o segredo de um vínculo afetivo tão avassalador? Afinal, meras palavras jamais poderão expressar os sentimentos advindos da paternidade genuinamente alicerçada no amor. Ser PAI não é uma tarefa simples e compreende um extenso rol de atributos fundamentados na amorosidade do afeto e na responsabilidade geradora do cuidado. A verdadeira natureza do exercício da paternidade transcende as questões de ordem biológica e consiste na formação de um inarredável compromisso com o bem-estar, a segurança e a felicidade do outro (filho). A palavra PAI tem origem no latim pater e o seu significado é tão vasto que adquiriu um sentido sagrado para diversas religiões, pois sua simbologia exprime uma grande intensidade de atributos.
Portanto, o sentido de ser PAI é intensamente poético. Significa adotar o altruísmo (amar desinteressadamente) como lema de vida, ter a compreensão como tema principal de suas decisões e a passagem do tempo como dilema existencial. O amor que une pai e filho é infindável porque não admite terminalidade. Dessa forma, desafia a própria morte e menospreza aspectos de nossas inúmeras vulnerabilidades. A atitude de quem se sacrifica cotidianamente como bom provedor (rejeitando o individualismo e o egoísmo) requer idealismo. Ser PAI é ser muito MAIS na ontologia da vida: ser mais dedicado, mais cuidadoso, mais abnegado, mais carinhoso, mais perdoador, mais afetuoso, mais compreensivo, mais atento e, enfim, mais HUMANO.
Por oportuno, informo ao leitor do Jornal O MUNICÍPIO que publiquei recentemente o livro, “Um pai, três filhos e a vastidão do amor: prosa e verso na escrita da vida!”, o qual pode ser adquirido por meio do site Clube de Autores ou da Amazon. Nessa obra, eu e meus três filhos empreendemos uma jornada reflexiva guiada pela escrita da esperança, diálogo e amor. Tudo isso aconteceu na singularidade da convergência das nossas individualidades divergentes que promoveram o entrelaçamento de uma multiplicidade de opiniões. Nesse sentido, o livro propõe o diálogo entre gerações distintas e adota o princípio da transversalidade de um colóquio cheio de intensidade emotiva, criatividade, afeto e sensibilidade humana.
Existem livros que nascem da técnica. Esse nasceu do amor. Entre memórias, crônicas e poemas, cada página é atravessada pela presença de quatro nomes que são, ao mesmo tempo, vida, sentido e horizonte: eu e meus filhos João Vítor, Paulo Ricardo e Marco Antonio. Na realidade, esse livro não é apenas um escrito sobre os filhos, vai muito além porque foi escrito com os filhos. Eles participaram diretamente da produção de textos, reflexões e poemas, fazendo da obra um espaço de criação compartilhada. Assim, a escrita deixou de ser um gesto solitário e se transformou em encontro, diálogo e brincadeira séria com a palavra. Enfim, entendo humildemente que ser pai não é apenas um papel social, é uma travessia feita de cuidado, escuta, esperança e aprendizado.

Antonio Artequilino da Silva Neto Doutor em Linguística, mestre em Educação, historiador, professor e escritor YouTuber – “Pensar com Arte – quilino”: youtube.com/@arte-quilino

