Por Clineida Junqueira Jacomini
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Natal é mais que comida, presentes, bolas, enfeites e chuva! Deveria ser repleto de fé, amor, amizade, louvor, orações, perdão….. Mas, não é! Virou comércio puro e a festança com luzes e ho ho hos noélicos começa, a cada ano, mais cedo! Desde novembro já se vê e fala em compras e que tais! Tudo prá alavancar as vendas natalinas de presentes, roupas e sapatos novos, perus, chesters, tender, nozes, avelãs e bebidas. Em minha casa os enfeites saem das caixas só em dezembro. Tudo muda e muda muito rápido! A nós nos cabe aceitá-las sem resmungos de velha que se lembra do passado, com, a cada dia, mais raras companhias com afinidades. Digo com tristeza que minha ‘prateleira’ está mais vazia! Mas, escrevo para falar de outra coisa, elogiosa e não só com minhas vorazes críticas: a Parada de Natal feita em dois domingos de dezembro apesar do tempo chuvoso. Muito bem preparada pela ACE – Associação Comercial e Empresarial de São João, mais a eficiente e idealista Ana Cláudia de Carvalho e sua laboriosa equipe, todos os anos encanta o grande público que lota a avenida maior da cidade. São bonecos de neve, duendes, dançarinos, acrobatas com seus pés metálicos que dão medo a todos antevendo um tombo natalino de grandes proporções… que felizmente, não acontece. Nos últimos anos até chuva de neve perfumada tem tido, na nossa urbe quente até de noite! Mas, convence a todos e encanta a quem nunca viu a neve de verdade, branca e gelada! Vou tentar descrevê-la, a Parada, para os que não tiveram a oportunidade de assisti-la. O tema foi: A Biblioteca Mágica do Papai Noel. Esse grande e idoso Papy, ou Dad, ou Santa Claus, ou São Nicolau é presença constante nos Natais de todo o mundo. Uma amiga tem em sua casa 53 noeis enfeitando-lhe a casa, a vida, a época e a memória de tempos felizes e passados! Esse ano até nós da Academia de Letras participamos escolhendo os melhores desenhos alusivos ao tema, feitos por alunos das escolas sanjoanenses: O Reino Mágico dos Livros. Numa época em que todos só olham para a telinha de seus celulares, presença constante em todas as mãos, o tema “livros” nos deixou, acadêmicos, esperançosos de tempos melhores. Papai Noel recebeu uma carta de uma jovem, Beatriz (seria a amada de Dante??), não querendo presente nenhum e sim apenas conhecer a sua história. O velhinho sai à sua procura, seguindo um raio de luz e vai encontrando coisas inusitadas: uma caneta mágica vai lhe mostrando tudo: o Portal das Palavras e com ele o Livro das Receitas e o Baú das Memórias. Doces natalinos e brincadeiras de outrora que ninguém mais conhece e que encantam a todos! E na luz, resplandescente, 4 palavras/sentimentos ficaram bem gravados: amizade, esperança, inocência e fé! Quem vive (e bem!) sem isso? Ninguém! E como e sempre é necessário um reencontro consigo mesmo!! Freud e Jung já afirmaram isso, com certeza! E a criança triste e desesperançosa, sem história foi tendo a ajuda de personagens dos livros infantis, cada um lhe dando conselhos, todos úteis, para que ela se lembrasse de sua trajetória no mundo! Narizinho, Emília, Visconde…. Aí, eis que surge o Livro Sagrado das Histórias Eternas, o presépio e a manjedoura de Belém, com Jesus, Maria e José e a primeira história de amor e esperança incondicionais desde que o mundo é mundo! Esse é o presente verdadeiro e o Natal das Palavras vai seguindo para o final feliz!!!




