A Lixa e o kilt

Por Clineida Junqueira Jacomini
[email protected]

Ainda estou na casa de minha filha Marilia e dormindo na cama/ quarto de minha neta de 16 anos. Ela deixou um copo plástico com café com leite e gelo e mesmo sendo de plástico, o gelo, derretendo, molhou a sua mesa. Em cima havia uma lixa que ficou molhada. Tirei-a dali e coloquei-a num canto seco; fui buscar um papel ao lado para enxugar o tampo molhado e eis que escuto um barulhão assustador. Voltei e a mesa subindo, subindo e eu sem saber o que fazer! E coisas caindo e muito barulho! Meus filhos subiram correndo a escada e a mesa subindo… subindo …E rápido! Um horror! Acionei, com uma leve lixa um botão que fez tudo isso! Imaginem uma mesa de mocinha com enfeites, pinturas, lembranças, canetas, fivelas, escovas, penduricalhos mil…. Mais a água de um copo grande agora no chão! Uma parafernália incrível e só possível nesse nosso século XXI. Assustada, sem jeito e sem graça só fui ficando por ali. Nada de grave e entre mortos e feridos e objetos, salvaram-se todos!! Conto isso por ser uma velha senhora em cuja vida não entraram muitos botões que funcionassem assim, a um só toque, sutil, silenciosa e rapidamente. Não sou mesmo afeita a muita modernidade! E agora, um salto como sempre acontece comigo nas minhas garatujas. No último domingo de outubro, dia 26, aniversário de minha filha, em Stamford, CT, na Primeira Igreja Presbiteriana de lá há uma significativa homenagem aos imigrantes escoceses. Se não em grande número, 16 famílias, o que se assiste é pra lá de emocionante! A entrada de homens de saiotes, kilts, de tons e xadrezes variados conforme o clã representado; com os indefectíveis tartans, aquelas mantas no mesmo xadrez dos saiotes. Em sua indumentária há dezenas de detalhes que têm uma explicação lá nos primórdios da história escocesa, sendo necessários nos tempos de guerra, de caça e de paz! Entrando, tocando suas gaitas de foles, marchando garbosamente ao som de caixinhas repicando perfeitamente, é uma das coisas mais emocionantes que qualquer ser vivo e sensível pode ver! Ficam na frente e depois se retiram. As famílias de origem escocesa são chamadas a depositar seus tartans na mesa para serem abençoados pelo pastor, assim como as famílias por eles representadas. Depois o culto segue normalmente até que no final entram eles novamente tocando: Amazing Grace, com todos da igreja cantando. Aí não há olho que permaneça seco, sem uma boa aguinha umedecendo a íris, seja de que cor e nacionalidade ela for! Também tocam Scotland the Brave, música tradicional da Escócia, talvez relembrando o valente Wiliam Wallace de séculos passados. Por que uno os dois temas tão  diferentes? Porque ao lado da modernidade de nossos tempos há a volta reverente ao passado; a tradição valiosa para quem a tem. Os homens incrivelmente másculos, jovens, maduros e os de barba e cabelos brancos honram seu país, seus costumes, com respeito, honra e dignidade tão patentes que atingem a todos os presentes, comovidos com o que não lhes pertence; mas os atingem!

O que se conclui com tudo isso? O valor da modernidade e do passado! Tudo tem seu valor se soubermos usar os recursos certos, na hora e situação adequada! Com equilíbrio, sabedoria e ponderação, sempre!

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here