Tenho escrito sobre o momento atual tão complexo, seja no mundo, seja em nosso Brasil. Meu campo é o da educação. Orgulho-me de ser professora, tendo trabalhado nos vários níveis da educação escolar, vivendo alegrias e problemas.
Inúmeros desafios e muitas tentativas de solução estão presentes em todos os campos. Há uma quantidade imensa de sugestões as mais variadas para a busca de melhoras no campo das escolas. Seria ingenuidade pensar que as aulas podem melhorar tudo. No entanto, o que vejo no campo é muita teoria e pouca consequência prática. Certamente há bons professores formando grupos que buscam alterações, mas há muito a ser construído.
Lembremo-nos de Gabriel Compayré, que em 1880-81 escreveu: “O grande drama dos pedagogos é que passam metade da vida defendendo certas ideias e outra metade pedindo para que tenham cuidado com essas ideias”.
Considerando aqui as ideias que perpassam nosso cotidiano pedagógico, mesclando-se com inúmeras outras, abrimos o caminho para uma reflexão sobre o que é chamado de \inteligência Artificial ou IA.
Avanços técnicos e popularização de modelos de linguagem resultaram em 2022 no aparecimento de um recurso (‘chat’) chamado chat GPT. E milhões de pessoas passaram a ter acesso a uma ferramenta capaz de produzir textos, resumos, análises, códigos e argumentos acadêmicos em segundos.
Um programa contínuo para a formação docente, especialmente no momento histórico atual, é necessário. A instituição deve assumir esse programa de formação, aliando tecnologia e seu conceito de qualidade. Dada a presença da inteligência artificial, nós, professores, precisamos de orientação sistematizada e não ocasional como tem sido feito.
Nossa sala de aula continua a ser um momento mágico da interação entre professor(es) e estudantes. Tudo o que ali se vive é irreversível. Ali se aprendem ideias e fatos, atitudes, ideais e senso crítico. Isso envolve muitos fatores. O ensino pode e deve ser uma atividade que une inteligência, emoções e sentimentos.
Como desenvolver mecanismos vários para que nós e nossos estudantes saibamos aproveitar das conquistas tecnológicas aquilo que importa, não nos tornando reféns dela? Continua sendo imprescindível que professores e estudantes, através de reflexões nos estudos e nas práticas, continuem a ver o papel transformador das criações na história humana.
Quando bem aplicadas, as medidas aguçam a curiosidade do estudante, levando-o ao desenvolvimento. Essa aplicação exige nossa especial atuação como professores. Cabe a nós estarmos preparados para sabermos como abordar as tecnologias com segurança, competência e visão crítica. O planejamento e execução de cursos/encontros é importante para que nossa atuação docente fique no bom nível de segurança nessa realidade atualíssima. Nós, professores, precisamos, nesse novo cenário contemporâneo, de orientação sistematizada e não ocasional como tem sido feito. Cada vez mais será preciso construir uma formação crítica do estudante sobre tecnologia. E do professor.
Respeitemos a liberdade do aluno sem menosprezo à posição legitima dos educadores. As intenções e os objetivos da educação têm por horizonte a ambição da comunicação, visando a formação de pessoas criativas, críticas e solidárias à humanidade.

Maria Eugênia Castanho é professora universitária, doutora em Educação pela Unicamp e titular fundadora do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas

