Metanol no vinho: mito ou perigo real?

Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

As últimas notícias sobre a contaminação das bebidas destiladas por metanol chamaram atenção para o vinho. Mesmo estando fora dessa lista, a pergunta que fica é: o vinho corre esse risco?

O que poucos sabem é que antes de haver qualquer perigo por contaminação criminosa, o vinho já possui em sua composição o metanol, que é proveniente da casca da uva.

Embora seus níveis possam variar de acordo com o tempo que o mosto (suco da uva) fica em contato com a casca, eles são rigorosamente controlados por leis que variam o percentual de acordo com o país onde o vinho é produzido.

Isso acontece porque o metanol surge de forma natural no momento da fermentação do vinho e jamais deve ser acrescentado de forma proposital por produtores sérios. Além disso, ele surge em quantidades mínimas e seguras, sendo geralmente inferiores a 0,15 g por litro, mesmo a lei brasileira permitindo que vinhos tintos tenham até 0,40 g, e brancos e roses até 0,30 g por litro.

Por isso o principal risco de intoxicação por metanol em vinhos não vem da formação natural, mas de adulterações intencionais, que são ilegais e criminosas.

No Brasil, vinhos nacionais e importados tem registro no Ministério da Agricultura, mas diante de tantas fraudes, é necessário saber como se proteger de vinhos falsificados.

Para mim uma das maneiras mais fáceis de identificar é pelo o olfato, se o cheiro de álcool estiver muito forte se assemelhando ao de uma acetona, um verniz ou um vinagre, desconfie! Esse vinho pode ter sofrido oxidação, adulteração ou alguma contaminação.

Aqui no Brasil existe uma prática que se tornou comum, conhecida como descaminho, ela garante preços imbatíveis para vinhos clássicos dos nossos vizinhos argentinos pois não entrou em nosso país por meios oficiais, ou seja, não pagou impostos. Esses vinhos não têm comprovação de sua origem e estão sujeitos a todo o tipo de falsificação e contaminação e são facilmente encontrados em listas enviadas por WhatsApp.

Para reconhecer um vinho assim, a resposta está no contrarrótulo (a etiqueta oposta ao rótulo), lá devem conter informações do importador e do produtor, todas no idioma do país onde o vinho está sendo comercializado.

Por isso evite comprar vinhos sem nota fiscal. Quando eles estiverem com preços abaixo do normal e em sites desconhecidos, são indícios de fraude, porque no mundo do vinho nenhum produtor ou vendedor sério, faz milagres.

Valorize um bom produtor, uma boa loja e principalmente o comércio local da sua confiança, dessa forma sua única preocupação será em não deixar sua taça vazia!

Um brinde a valorização de um produtor responsável e até A Próxima Taça.

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