Insensatez

Ter ou não ter: eis a questão!

Hoje em dia o conceito de sensatez, ou bom senso, tem sido negligenciado, sobretudo nas mídias sociais. O desejo por ser aceito, admirado ou, até mesmo, financeiramente recompensado, tem levado as pessoas a não refletir sobre o que é ou não sensato. E o efeito disso pode ser o contrário do esperado.

“A mente de uma pessoa desprovida de bom senso frequentemente opera em um nível diferente. A falta de Informação, muitas vezes, impede que a pessoa tome decisões mais sábias. Outro fator tem a ver com o raciocínio emocional, quando permitem que suas emoções guiem suas decisões, levando a escolhas impulsivas e imprudentes. A capacidade de separação entre emoção e razão pode ser limitada. Existem, ainda, as influências externas, como a pressão de amigos ou familiares podendo motivar alguém a tomar decisões que vão contra seu melhor interesse, levando a um raciocínio distorcido sobre o que é aceitável. Finalmente, a autoconfiança extravagante induz os indivíduos a ignorarem conselhos e regras básicas de conduta, acarretando decisões erradas.” (fonte: Grupo Aqua)

A sensatez já foi tema de reflexão para pensadores, poetas e compositores. “Entre os homens vulgares e os homens sensatos há uma diferença característica, que se patenteia frequentemente na vida comum: os primeiros quando refletem sobre um perigo possível, cuja grandeza querem avaliar, não indagam nem consideram senão o que pode ter acontecido mais ou menos semelhante; os segundos pensam por si próprios no que pode ocorrer.” (Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, 1788-1860)

“O bom-senso é coisa de que todos carecemos, que poucos têm, e de que ninguém julga precisar”, define o filósofo e estadista norte-americano, Benjamin Franklin (1706-1790).

O autor alemão Johann Goethe (1749-1832) ressalta a importância da sensatez para a construção de uma sociedade próspera: “Só os homens sagazmente ativos, que conhecem as suas aptidões e as usam com medida e sensatez, poderão fazer avançar substancialmente o mundo.”

Manoel de Barros (1916-2014) poeta contemporâneo também aborda a temática em seu poema “A sensatez me absurda”: “Melhor/deixar de correr/pensar em viver/mostrar o crer/saber dizer, /eu sou, nunca talvez. /Nesta sensatez/eu me perco em devaneios/esqueço todos os meus porquês/dou asas aos meus anseios/Assim afasto os receios/que me atormentam a alma/vou metendo pelo meio/esperança, amor e calma.”

Na composição do Grupo Raça, o tema ganha espaço, pautando as atitudes no lidar com a relação a dois: “Faz tempo que é preciso dar um tempo amor/Saber como é que anda nossa relação/Olho nos teus olhos e não vejo amor/Te vejo mas não vejo a mesma emoção. /Olha nos meus olhos e diz/Se eu ainda te faço feliz/Se o fogo desse amor/Arde no teu coração. /Pensa bem fingir que nada vai mudar/Não vale a pena/A gente tem mais que encarar esse problema/Agir como adulto se abrir com sensatez/Pensa bem!”

Tom Jobim e Vinicius de Moraes usaram a temática em uma de suas mais célebres composições: “A Insensatez”: “Ah, insensatez que você fez/Coração mais sem cuidado/Fez chorar de dor o seu amor/Um amor tão delicado. /Ah, por quê você foi fraco assim/Assim tão desalmado/Ah, meu coração, quem nunca amou/Não merece ser amado. /Vai, meu coração, ouve a razão/Usa só sinceridade/Quem semeia vento, diz a razão/Colhe sempre tempestade. /Vai, meu coração, pede perdão/Perdão apaixonado/Vai, porque quem não pede perdão/Não é nunca perdoado.”

Termino com a máxima bíblica do sábio rei Salomão: “Em tudo o homem sensato procede com conhecimento; mas o tolo espraia a sua insensatez.”.

Ana Lúcia Finazzi

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