Por Marly Camargo
Cadeira nº 6 – Patrono: Mário Quintana

O que será que houve com o tempo, que atualmente parece passar tão mais depressa do que antes? Na infância, contávamos os anos pelos nossos aniversários, pelo Natal ou férias escolares e… ah, como essas datas custavam a chegar! Hoje, porém, as 24 horas voam, como se os ponteiros ou digitais do relógio se tornassem ágeis gaivotas!
Será porque nos tornamos adultos? Creio que não, pois algumas crianças também comentam sobre como não têm tempo de fazer suas atividades. De repente, já é noite. De repente, acabou mais uma semana, um mês… de repente, já é segunda-feira e todos aqueles planos que fizemos para o fim de semana continuaram em aberto.
Bom seria se pudéssemos fazer como o gato Garfield, que odeia segunda-feira e simplesmente rasga de seu calendário esse dia da semana. Tal atitude só adiaria para a terça os afazeres que o segundo dia da semana traz consigo.
Um dia de recomeços e lembranças nem sempre agradáveis – quem nunca deixou aquele regime ou rotina de exercícios físicos para segunda-feira? Talvez por ser o primeiro dia útil da semana, trata-se de um dia apressado, até porque vem logo após o domingo, normalmente conhecido como o “dia de descanso”. Por mais que o fim de semana tenha sido em casa, curtindo a família e amigos, na segunda tudo volta “ao normal”, com horários para entrar e sair do trabalho, almoçar, buscar os filhos na escola, ir ao banco ou a alguma repartição pública que tem horário para fechar e… onde é que nós mesmos ficamos nessa correria frenética?
Como alguém que vivencia essa situação, eu me pergunto sempre se vale a pena tanta pressa para cumprir os compromissos assumidos. Afinal, é nossa própria vida que está sendo sugada, sem que se preste atenção. E é urgente que saibamos encontrar um equilíbrio, fazer pausas e relaxar no meio do dia. Parar uns 5 minutos, respirar fundo e prestar atenção no ar que entra e sai de você é um passo simples, que pode ser o primeiro de muitos. Outra ideia é ter consciência de que as pessoas à sua volta podem não estar ali no dia seguinte – e que reservar pelo menos dez minutos para dar atenção a elas não vai prejudicar o seu trabalho! Tudo é questão de vontade e empatia – lembrando que a tolerância é praticada de nós para nós mesmos também.
Porém, essa tal segunda-feira já nasceu com um nome equivocado. Sabe por que os dias úteis da semana têm esse “sobrenome”? Em latim, a palavra feira vem de ‘feria’, que significa dia de descanso. O termo passou a ser empregado no ano 563, após um concílio da Igreja Católica na cidade portuguesa de Braga. Na ocasião, o bispo Martinho decidiu que os nomes dos dias da semana – usados até então, em homenagem a deuses pagãos – deveriam mudar e essa ordem valia apenas para os dias da Semana Santa, quando todo bom cristão deveria descansar. Depois, os portugueses acabaram adotando os nomes para o ano inteiro. Por extensão de Portugal e por influência do cristianismo, o Brasil vem seguindo essa nomenclatura desde então. Vamos encontrar uma horinha para descansar na segunda-feira? Sua mente e seu corpo agradecem.




