Escola democrática

Campinas teve uma escola popular criada ainda no tempo do Império e que sobrevive na atualidade. Estudei meu curso primário ali, no Grupo Escolar Corrêa de Melo (de 1953 a 1956) e muito aprendi.  Tivemos excelente professora (a mesma nos 4 anos do chamado curso primário). A maioria das alunas era filha de comerciantes e havia também muitas de origem humilde. Nunca houve discriminação de qualquer tipo. A situação atual coloca grandes desafios, apesar de grandes esforços que vêm sendo feitos.

Hoje sou professora e pesquisadora sobre educação e encontro notícias sobre múltiplos investimentos que o atual governo vem fazendo, com auxílios de vários tipos.   Auxílio estudantil do governo 2024; Bolsa auxílio para estudantes universitários 2024; Auxílio Estudantil; Bolsa Permanência 2024; Auxílio para estudantes do ensino médio. Grandes ações, pouco divulgadas.

Ao lado de tudo isso, leio no jornal que “preconceito contra bolsistas vem à tona”. A triste notícia é que após suicídio de aluno, vieram relatos de discriminação de estudantes de baixa renda em colégios de elite. A matéria do jornal fala que ao lado de leis o problema precisa ser enfrentado por ações da comunidade escolar.

O Ministério da Educação prevê formatar programa de bolsas federais para jovens, atrelado ao ensino em tempo integral. Há também um projeto de Lei no Congresso, da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), pedindo mudanças no Bolsa Família visando que o programa de transferência de renda pague valores específicos para alunos do ensino médio. O custo do programa seria de R$ 1,7 bilhão ao ano (o projeto cita estudos em que o Brasil perde R$ 200 bilhões por ano pelos jovens não concluírem a educação básica). Enquanto no Brasil a taxa de conclusão do ensino médio é de cerca de 70%, em países desenvolvidos chega a 99%.

Entendo que o direito à boa educação é um dos direitos básicos de todos os seres humanos. No entanto, a realidade mostra inumeráveis problemas.

Em um mundo polarizado como o atual, onde líderes se comportam muito mais como aspirantes a ditadores, a história romana nos recorda que o vácuo de poder nunca fica vazio por muito tempo. Brutus e seus aliados tentaram salvar a República, mas abriram as portas para um império.

E nós? Estamos caminhando para um novo “império” global, onde o poder será cada vez mais concentrado, ou conseguiremos reinventar a democracia? (Correio Popular, 23/3/2025, p. A11). Tudo isso me leva a lembrar importante ideia que aprendi com Margareth Mead e que recentemente voltou à baila através de Survival of the Friendliest, livro sobre a sobrevivência dos mais amigáveis. Seus autores Hare e Woods defendem que a atenção conjunta nos tornou mais inventivos e cooperativos.

Os abrangentes problemas e desafios nacionais e internacionais desenvolvem o sentimento de lutar sem ingenuidade, trabalhando e fazendo em todos os lugares e grupos o que é possível, nem mais, nem menos.  Assim haverá um bom amanhã!

Maria Eugênia L. M. Castanho, doutora em Educação pela Unicamp. Membro fundadora do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here