Ser ‘Influencer’ virou profissão e tem até Santo protetor

Por Marly Camargo
Cadeira nº 6 – Patrono: Mário Quintana

Já faz alguns anos que as pessoas, valendo-se de smartphones e equipamentos tecnológicos, buscam se tornar conhecidas por meio da postagem de vídeos autorais em suas redes sociais. Sobretudo na pandemia – que nos ‘obrigou’ a seguir o isolamento social – a internet virou ferramenta de comunicação e fez com que gente ‘anônima’ de diversas faixas etárias criasse coragem de expor sua imagem nos ambientes virtuais. Quem não admirou o ator Ary Fontoura que, cheio de humor, expunha a rotina e habilidades em seu Instagram, durante a quarentena?

Influencer é o nome dessa atividade que, atualmente, se tornou uma espécie de profissão – ou preocupação? – que muitos perseguem de modo nem sempre saudável. Vê-se, cada vez mais, indivíduos expostos nas mais diversas áreas, tendo em comum a vontade de ‘viralizar’, de ser visto, seguido, curtido e ser assunto na boca de todos. Existem influencers de comportamento (com dicas de bem-estar e equilíbrio que, muitas vezes, eles próprios não seguem), de cuidados com pets (animais de estimação), de gastronomia e até professores ‘youtubers’, com videoaulas de matemática, português etc.

Faço um adendo de que NÃO tenho nada contra influencers. Pelo contrário, reconheço que alguns são extremamente importantes para aumentar nossa cultura e conhecimento acerca de um tema. O que me preocupa é o grau da necessidade que alguns têm de ‘aparecer’ e o possível ‘vale-tudo’ para se tornar famoso, viralizar e monetizar seu canal! Sempre é fundamental uma autoanálise, uma reflexão profunda sobre o que se está ‘vendendo’. A atitude do profissional influencer é condizente com as ações que ele demonstra, na prática? Para tudo existe uma medida certa e a verdade nas relações entre o influencer e seu público deve prevalecer, pois a ‘venda’ de uma ideia equivocada pode acarretar prejuízos significativos. Um exemplo são os procedimentos estéticos que alguns influencers da área da saúde e estética oferecem… e podem custar a vida dos que os assistem! Muito cuidado e bom senso são fundamentais na hora de ser ‘influenciado’ por quem se vê no vídeo.

Destaco aqui um belo jovem italiano, que está prestes a se tornar o “padroeiro da internet”: Carlo Acutis. Este menino – que a leucemia nos levou tão cedo, contando apenas 15 janeiros – é um exemplo do uso assertivo de blogs e redes sociais. Nos conteúdos que Acutis produziu, estavam temas como a Eucaristia e viver a vida com bases no respeito, amor ao próximo, solidariedade, entre outros pilares. Este futuro ‘Santo Influencer’ bem podia ser um meu aluno, e por conviver com pessoas de faixa etária tão próxima da dele, meu desejo particular é o de que essas gerações possam compreender a necessidade de utilizar tais ferramentas sempre a favor do bem, para melhorar o mundo – até porque a internet nos conecta com o planeta. Que Carlo Acutis possa proteger e guiar essas mentes em formação, de igual para igual.

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