O turismo ecológico cresceu e tomou volume após a Rio 92 que, na verdade, foi um marco ambiental mundial, um dos mais vanguarda de todos os tempos na matéria ambientalismo.
Após a Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento (Rio 92 ou Eco 92) se estabeleceu que não seria sustentável se o desenvolvimento não colocasse olhar sobre a natureza. Foi um despertar global onde pudemos alcançar o conhecimento da nossa fragilidade caso tocássemos o projeto desenvolvimentista sem dosar o uso dos recursos naturais, e mais, enxergamos que alguns dos biomas no Brasil e no mundo já estavam sendo dizimados em prol somente de uma receita económica a todo custo, mesmo que estes custos fossem, cerrados, florestas, campos, rios ou rochas, ou sejam, bens naturais que nós tivemos a benção de receber em nosso pedaço de solo nesse planeta e que podem ser finitos!
Naquela altura, cientistas e profissionais já coletavam dados que seriam a base dos trabalhos futuros que já vinham por aí. Desde uma década antes, grupos acadêmicos, sociais e ambientais que sempre tiveram um olhar do mundo menos, ou talvez quase nada, financista, já enxergavam que, “tudo pelo desenvolvimento” poderia queimar campos e cerrados, contaminar rios, desertificar florestas tropicais, poluir o ar, os oceanos e, o mundo precisaria de fôlego para viver.
Hoje evoluímos bastante, somos um exemplo de país em pesquisa aplicada para desenvolvimento ecológico em práticas produtivas. Temos instituições como Embrapa e Esalq que tem seus cátedras chamados para ensinar ao mundo, modelos alternativos e sustentáveis e a Embratur, aparelhada para mostrar aos brasileiros e estrangeiros que podemos ter muitas coisas a aprender onde se produz alimento em harmonia com as reservas.
O código Florestal brasileiro foi trabalhado de tal maneira a estabelecer um mosaico de paisagem preservada que interliga, ou pelo menos deveria interligar, nossos biomas através das reservas particulares obrigatórias, parques e reservas nacionais além dos cursos d’águas com suas matas ciliares. E hoje, muitos pecuaristas e agricultores tem nessas reservas a chance de obter resultados financeiros com suas belezas naturais compostas por cachoeiras, cavernas, lagoas, cânions, chapadas, rios, pântanos e tantas outras atrações que a natureza nos presenteia como se fosse o sistema linfático da terra cuidando do status da saúde do planeta onde podemos visitar e ganhar consciência ambiental.
Esse turismo rural/ecológico cria identidade cultural regional e sopra forte na chama do patriotismo. O brasileiro conhece pouco das suas riquezas, as vezes menos até do que conhecem o Mickey, a Torre Eiffel ou a Estátua da Liberdade.
Existem sim, diversos pontos de ecoturismo com boa estrutura para turismo de natureza, boa parte estão voltadas ao turista estrangeiro e pouco acessível para o brasileiro que tem sua moeda fraca. A estruturação do turismo ecológico deve, ao meu ver, ser trabalhada para o brasileiro, já que esperar a moeda ficar forte, tá difícil!
O homem tem mais valor quando conhece sua pátria, que no nosso caso é predominantemente verde, amarela e azul. Não é patriotismo de bandeira nas costas sem conhecimento, só por ideologia ou para disfarçar o extrativismo e a produção intensiva impactante, é o verde das florestas úmidas, do cerrado, do pantanal e de tantos outros tesouros, que cobre nosso território numa harmonia geológica que poucos países possuem!
Quando o brasileiro souber que pisa por cima desse tesouro, não serão só os abastados espertões que lucrarão, existirá uma tendência ao equilíbrio socioambiental que deveria ser nossa identidade como nação. Povo rico, saudável, miscigenado, adaptado com a natureza fértil daqui, então, não será só turismo, será um meio de vida culturalmente correto a moda brasileira, mostrando ao mundo que nossa pujança não é só do Agro mas muito da natureza que está junto dele.
Essa riqueza é só nossa! Acho que ainda dá tempo de ser o país do futuro nesse viés!

Plínio Aiub
é médico veterinário especializado em animais silvestres

