Um golpe

Por Clineida Junqueira Jacomini
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Pois é! Caí num! Diferente, inusitado e triste. Minha idade foi a referência. Dia 1° de julho fui a São João, fiz compras com o cartão Visa do Santander (por aproximação e senha) no Big Bom. Saí dali, entrei na cidade e ouvi dois barulhos, um forte, outro menos. Passou uma moça num carro branco e me fez sinal de que estava caindo algo. Parei na Oscar Janson, 156 e sai; abri o porta-malas, nada; nem água caindo. Aí o moço do carro se aproximou e disse que estava saindo fumaça; perguntou se eu tinha ouvido um barulho; disse que sim. O moço então disse ser uma correia de uma tal peça que tinha soltado. Pediu para abrir o capô e confirmou que era a tal correia solta mesmo. Um nome esquisito, e ele se mostrando expert em mecânica. Pediu para dar partida: nada! Então disse que era gerente da loja Bosh da avenida; que tinha faculdade, mestrado em eletrônica na USP e ia ligar para sua secretária para mandar um mecânico; ela disse estar em horário de almoço, todos. Então era para ela trazer a chave para ele apertar a tal correia; e ele conversando: que estava com a mulher no carro; que eu parecia com sua avó; que não aparentava ter a idade que tenho etc etc….uma prosa realmente encantadora! E eu me abrindo com ele. Logo chegou uma moça meio ruiva de cílios postiços e cabelos longos com a chave. Ele apertou; dei partida e funcionou. Ele pegou o meu Visa preto que estava no coxinho e me devolveu e eu pus na bolsa. Disse para não desligar. Sua ‘gentileza’ ficou em R$ 39,00. A moça disse que tinham guincho na loja, mas ela ligou dispensando, pois o caso era simples e foi resolvido. Eu disse que até tinha dinheiro para pagar, mas o moço disse que já tinha optado pelo cartão e se possível deveria ser de débito. Usei o Visa dourado do Banco do Brasil; ele do meu lado, digitei a senha de 6 números que ele deve ter visto. Ele me mostrou o visor da maquininha amarela onde estava o valor correto. Mas, esperou, esperou e disse que ali não havia sinal da bandeira daquele banco. Eu disse que tinha outro, mas que o pagamento seria em débito.  Peguei meu cartão preto na bolsa e vi que não era o meu e sim de Rodolfo ou outro nome masculino. Disse isso pra ele que pegou de volta dizendo que era o dele que iria usar (como pagar de si para ele mesmo!!!). Com essa enrolação toda disse a ele se não era golpe. Ele se indignou, ficou triste, quase chorou! E íamos conversando; dei meu nome; o que fazia, onde morava, que andava muito nas estradas, de dia e de noite etc etc. Ele disse que queria que meu nome ficasse registrado na loja; então a moça ruiva ligou com meu celular para algum número e também anotou. Dei um gorro de lã cor de rosa que ela colocou e agradeceu muito! Ah! Que raiva! Disse que fazia gorros para doar. Achei tudo muito estranho; peguei uma nota de R$50,00 que tinha, dei pra ele; o carro já estava ligado e ele saiu. E eu sai ventando e fui direto no Santander. Gastei uns 10 minutos, se tanto. Falei com a Talita que foi muito atenciosa e prestativa ainda mais vendo minha idade, estado e nervosismo. Perguntou se eu tinha seguro do cartão. Não tinha. E também não tinha dinheiro em conta; só o do cheque especial.  Quando ela entrou na tela na minha conta já existiam 5 operações: uma de 2 mil, de 50 e outras. Demorei quase 2 horas no banco; liguei para minha filha para contatar o gerente do BB da Prata porque afinal eu tinha usado o cartão de débito de lá. Ela conseguiu e o cartão assim como o do Santander foram bloqueados com pedido de novos. Talita chamou uma funcionária e explicou o caso ficando alarmada com tal golpe. Falando no telefone interno com Alessandra que iria me dar o protocolo do caso ela me garantiu que eu não seria prejudicada e qualquer quantia seria ressarcida na próxima fatura do cartão. Confirmou meu endereço e sugeriu que fizesse um BO na Delegacia de Polícia. Fiz um seguro do novo cartão baixando o app do Santander no celular. Quando contei para minha filha ela ficou super alarmada com o caso pelo perigo que passei. Fomos olhar o extrato no app e lá só constava o valor do seguro feito e $3,50 gasto num bar próximo ao local do famigerado golpe. Ela me pediu para ir até lá, pois ela conhece o bar e sabe que tem câmeras. Foi triste esse calamitoso caso contra uma velha senhora de 80 anos que anda mundo afora sozinha!  Estou com medo por ter passado meu endereço e o número de meu telefone celular, mas nele não há número nem ligação alguma dessa corja de enganadores. Com certeza apagaram! Relato esse problema em meu espaço quinzenal alertando outras pessoas idosas e desnudando meu coração! Analisando tudo com calma, o trio deve ter tampado meu escapamento ainda no supermercado; daí os dois estouros. Dois aplicativos de bancos sumiram de meu celular; ação deles também. E a recomendação de todos é a de não deixar ninguém entrar no carro, se abordada e sair dele, indo para a rua e ou calçada! Estou viva!!

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