Por que devemos discutir sobre a pobreza e a riqueza no Brasil?

Atualmente, existe um importante debate no Brasil em torno das relações sociais, políticas e econômicas que envolvem pobres e ricos. Tais discussões são muito oportunas em razão das profundas desigualdades sociais que permeiam a sociedade brasileira há vários séculos. Sem dúvida, o grande abismo que separa ricos e pobres no Brasil advém de questões históricas, com destaque para o legado da escravidão negra e do colonialismo que, decididamente, contribuíram para a concentração das riquezas nas mãos de uma ínfima minoria e para a marginalização de grande parte da nossa população.

Sendo assim, devemos admitir que as desigualdades sempre foram preponderantes no Brasil e geraram ciclos de pobreza que foram transmitidos de geração em geração. Essa situação absurda impossibilitou a mobilidade social para a maioria dos brasileiros ao longo da história. Contudo, qual foi o resultado desse processo histórico? A conclusão é elementar: o Brasil de hoje é um país rico, habitado por uma população majoritariamente pobre, submetida a serviços públicos precários nas áreas de saúde, educação, saneamento básico e transporte público. Os pobres não possuem moradia adequada, trabalho decente e apenas (sobre)vivem sem perspectivas de melhoria nos seus rendimentos miseráveis.

Com o intuito de esclarecer melhor essa contradição, podemos trazer à tona a grandeza do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que no primeiro trimestre deste ano, 2025, cresceu 1,4% em comparação com o trimestre anterior, de acordo com dados do IBGE. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 3 trilhões no período. No acumulado dos últimos 12 meses, a economia brasileira cresceu 3,5%. Atualmente, o Brasil ocupa a 10ª posição no ranking das maiores economias do mundo em 2025.

Todavia, por que a riqueza cresce no Brasil e os pobres continuam mergulhados na pobreza? Pois bem, a resposta simples e direta consiste na hedionda concentração das riquezas existentes nas mãos de poucos. Além disso, como fatores agravantes temos a desigualdade de oportunidades, a falta de acesso à educação e a ausência de políticas públicas realmente eficazes para a superação de um problema sério que tem origem estrutural, derivada de um processo de colonização pautado pela sociedade escravagista.

Nesse sentido, os programas de transferência de renda são essenciais para a redução do contingente de pobreza no Brasil, mas são incapazes de resolver as mazelas do constante aprofundamento das desigualdades sociais e da má distribuição de renda. O quadro de distribuição de riquezas é desolador, pois os 10% mais ricos no Brasil concentram 41,9% da renda total. Além do mais, a parcela da população mais rica (1% mais rico) detém 28,3% da renda total do país. Isso coloca o Brasil entre os países com maior concentração de renda do mundo.

A propósito, a concentração de renda no Brasil tem diversas causas, como o privilégio de grandes empresas e do capital financeiro, baixos níveis de escolaridade entre os mais pobres e precarização do trabalho, além da falta de taxação dos mais ricos, instituição de programas de redistribuição de renda e desenvolvimento humano.

Sabemos claramente que, para promover o desenvolvimento humano no Brasil, é imperativo, urgente e essencial a priorização de uma educação de qualidade, acesso à saúde, oportunidades de emprego e renda, garantia da participação social e a inclusão. Também é fundamental combater a pobreza e a desigualdade, fortalecer a governança democrática e proteger o meio ambiente. Portanto, o crescimento da riqueza e da pobreza são fenômenos interligados, ao passo que a desigualdade é um fator crucial que contribui para a persistência da pobreza, enquanto a concentração das riquezas nas mãos de poucos dificulta a mobilidade social e econômica para a vasta maioria dos brasileiros.

Por fim, essa discussão sobre pobres e ricos precisa avançar cada vez mais porque está relacionada à busca por uma sociedade mais igualitária, onde todos possam ter acesso às mesmas oportunidades e direitos. Certamente, os leitores do jornal O MUNICIPIO estão convictos da necessidade de mudanças em favor de um país mais justo para todos.

Antonio Artequilino da Silva Neto

Doutor em Linguística, mestre em Educação, historiador, professor e escritor. Também youtuber no youtube.com/@artequilino

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