A Inteligência Artificial está produzindo vinho

Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

A Inteligência Artificial (IA) invadiu nossa vida sem pedir licença e em tempos em que o consumo dos vinhos vem tomando novos rumos, ela invadiu também os vinhedos.

A ascensão dos especialistas desse ramo não nega que as empresas estão os buscando, com benefícios agressivos, para desenvolver produtos de diversos setores. Esse crescimento acelerado e os projetos desafiadores são reflexo de um campo que, ao que tudo indica, ainda tem muito para ser explorado. E foi aí que profissionais do vinho embarcaram nessa “brincadeira”.

Antes de tudo é importante mencionar que a IA é uma simulação da inteligência humana, ou seja, é um conjunto de tecnologias que viabilizam computadores para “raciocinarem” como nós seres humanos. E quem usa ferramentas como o ChatGPT, uma Inteligência Artificial, sabe que para um melhor resultado, é necessário elaborar adequadamente a pergunta e o pedido que se faz.

E foi isso que fizeram dois empresários franceses ao desenvolverem o primeiro vinho criado por meio do ChatGPT. Basicamente eles deram os comandos para a plataforma, seguiram passo a passo e segundo eles, o resultado foi surpreendente.

Mas é necessário provar um pouco mais dessa taça para entender o que realmente existe por trás da introdução dessa tecnologia no setor vitivinícola.

É compreensível pensar que, contar com a ajuda da Inteligência Artificial para desenvolver um rótulo criativo, não é novidade para ninguém ou até mesmo para definir o tipo de garrafa, o nome do vinho, o posicionamento no mercado e tudo mais que envolvesse o lançamento de um novo produto. Mas torna-se um pouco surpreendente pensar que a tecnologia avançou tanto que até o vinho está sendo produzido por ela.

A questão é que a IA fez apenas aquilo que foi pedido a ela e, por intermédio de uma sugestão totalmente previsível, as uvas usadas na produção daquele vinho, não trazem nenhuma euforia.

Isso porque foram sugeridas pela IA o uso das uvas Grenache e Syrah, as mais comuns no sul da França. Juntas elas produzem um vinho com aspecto mais frutado, visto que em terras francesas, a primeira é conhecida por produzir vinhos com aromas de frutas vermelhas como framboesa e morango, enquanto a Syrah tende a resultar vinhos com aromas de frutas negras como ameixa. O resultado não poderia ser diferente, um vinho leve e frutado.

Entende-se então (ou deveria fazer-se entender) que a IA neste caso, os auxiliou na escolha das uvas que melhor se desenvolvem naquela região. Além disso, eles quem escolheram o método de vinificação que produziria aquele vinho, reforçando ainda mais que, para se usar da melhor maneira uma ferramenta dessa, é preciso saber o que se pergunta e o que se pede a ela.

Um vinho previsível e “sem intervenção” humana foi desenvolvido e batizado pelo ChatGPT com o nome de “The end” e para mim, esse ponto é o mais intrigante.

A partir do momento que se produz um vinho com ajuda da Inteligência Artificial se tem o começo de uma nova tendência para agregar o que há anos existe no mundo ou encerramos uma era milenar e deixaremos tudo “nas mãos” da tecnologia?

Espero que não deixemos o vinho ser um serviço da tecnologia e sim que entendamos que usar ela a serviço do vinho, pode ser um benefício. Afinal, tão essencial quanto a presença humana na degustação do vinho, é também na produção dele.

Um brinde ao bom uso da tecnologia na vitivinícola e até A Próxima Taça!

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