O tempo e o feriado anunciado

Por Lucinda Noronha
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Já no ano passado todo mundo falava: 2025 ia ser o ano dos feriados bons. Quinta virando sexta; sexta grudada no sábado; ponte pra tudo que é lado. E abril… ah, abril prometia aquele feriado prolongado que parecia um presente do calendário.

Mas, no meio da correria, das metas malucas que a gente inventa, das tarefas que não acabam nunca e dessa enxurrada de informação que a gente vive, o cansaço vai se instalando, quieto. Chega no olhar de sexta à noite. E aí, um feriado prolongado parece tudo o que o corpo e a alma precisam.

Um mês antes, eu já pensava no feriado que começava sexta e acabava segunda, chamando os amigos pra fazer algo na roça. Fugir de São Paulo tem sido meu novo prazer. Eu, que sempre amei a cidade, com toda aquela energia, oportunidades, o movimento… hoje ando trocando tudo isso pelo mato. É, a gente muda…

Tem me feito um bem danado ver o tucano rasgando o céu de manhã; o galo cantando;  o passarinho no ninho; o silêncio que diz tanto! O tempo vai refinando nossos gostos e, aquilo que antes parecia distante, vai se tornando o lugar onde a gente realmente quer estar. O fruto só fica doce quando amadurece, né?

Pois é, a maturidade nos traz mudanças!!

E aí chegou o tal feriado. Caminhada cedo no mato; banho de cachoeira; almoço com amigos; daqueles pensados com carinho, desde a escolha do cardápio até a sobremesa trazida com amor. Passadinha na zona cerealista, de São Paulo, aquela confusão boa, que dá até outra crônica!!!

Dos preparativos  para conversa solta, desabafo, abraço, foto, comida boa….. E, no meio de tudo isso, a certeza: amizade e família  são  os  maiores presentes dessa vida!

Tinha pão de cenoura, de couve e uma sensação gostosa de que aquilo ali era o que realmente importava. Quando tudo ficou ajeitado pro próximo almoço, fui até o quarto da minha mãe e falei:

— Estava uma delícia, né?

E ela, daquele jeitinho dela, respondeu:

— Tudo passa muito rápido!

Aquilo ficou na minha cabeça. E não é que passa mesmo? A gente pisca e já é segunda. Pisca de novo e os filhos cresceram. A juventude vai; a velhice chega; os momentos bons e os ruins passam. Tudo passa!

Mas, tem uma coisa que fica: fica o que a gente sente; o que a gente vive de verdade. Ficam os encontros, os cheiros, os sons, o gosto daquele almoço feito com amor.

E, talvez seja isso que a vida tenta ensinar o tempo todo: que ela não é sobre parar o tempo, mas sobre viver de verdade enquanto ele passa. Como um bom feriado prolongado; que não dura pra sempre, mas deixa a gente novinha em folha pra recomeçar.

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