“Quanto mais pessoas participam da inteligência artificial, mais ela se democratiza, mais pode florescer”.
Incentivar o desenvolvimento de IA (Inteligência Artificial) descentralizado é necessário para evitar a concentração de poder, já que sistemas de IA podem perpetuar preconceitos motivados por dados tendenciosos.
Confiança excessiva em sistemas de IA pode nos levar à perda de criatividade, habilidades de pensamento crítico e de intuição humana. É vital que encontremos um equilíbrio entre a tomada de decisão assistida por IA e a entrada humana. Isso preserva nossas habilidades cognitivas.
Não nos tornemos reféns da IA: esse poder pode ficar cada vez mais concentrado em poucas mãos, permitindo que regimes imponham valores restritos por meio de vigilância generalizada e censura opressiva; enfraquecimento pelo qual nos tornamos dependentes da IA.
Há pouco fico sabendo sobre Henry Kissinger, polímata respeitado em vários campos (história, filosofia, diplomacia da Guerra Fria), que aos cem anos tornou-se especialista em IA.
Uma matéria da The Economist, divulgada pela imprensa, informa a publicação de um livro póstumo de Kissinger, GENESIS (Genesis: Artificial Intelligence, Hope, and the Human Spirit) escrito junto com Eric Schmidt, Craig Mundie e Niall Ferguson. Sobre humanos e sobre máquinas.
Num senso sombrio Henry Kissinger, falecido em 2023, revela ameaças. Sugere a IA estar à beira de uma inteligência sobre-humana, que ou controlaremos ou seremos controlados por ela. Na era da IA o poder pode acumular-se nas empresas privadas que possuem e desenvolvem a tecnologia de IA.
O risco de o desenvolvimento da IA ser dominado por um pequeno número de grandes corporações e governos pode aumentar a desigualdade e diminuir a diversidade nas aplicações de IA. Para evitar isso é importante e mesmo indispensável incentivar o desenvolvimento de IA descentralizado e colaborativo.
São muito úteis as ferramentas como a matemática e a estatística oferecidas pela IA permitindo análise e resultados em vários campos. No entanto, há graves problemas com o uso contínuo influenciando e moldando o comportamento humano. Nossa tarefa constante é aumentar nosso conhecimento nos mais variados campos com o auxílio das informações que a inteligência artificial nos oferece.
Indispensável é combater a manipulação das consciências, preservando os valores preciosos da liberdade humana, fundamentais à democracia. É preciso fugir da dependência e da submissão. É preciso ensinar a pensar a partir das informações, verificar sua proveniência e transformar em conhecimento crítico.
Quem deve decidir o senso do certo e do errado das máquinas? O livro “Genesis” mostra a urgência do problema. “Forjar consenso sobre quais são os valores humanos e prevenir os perigos mais extremos da IA é a tarefa filosófica, diplomática e legal do século”.

Maria Eugênia L.M. Castanho, doutora em educação pela UNICAMP, é professora universitária (PUCC) e membro fundador do IHGGC, (Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas), SP

