Existem vários indicadores biológicos na natureza: temos espécies bioindicadoras, como por exemplo, o tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus). A presença desta espécie indica que o fragmento florestal onde ele foi avistado está bem preservado com diversidade de frutos, sementes e toda riqueza natural. Dificilmente você vai ver esse bicho nas cidades como seu primo tucano-toco (Ramphastos toco), “aquele do bicão laranja”!
Existem diversas nomenclaturas na ecologia que trazem muita informação do status sanitário e do grau de preservação do ambiente.
Uma das nomenclaturas trata-se da espécie CHAVE; que é, toda aquela que sem sua presença no ambiente pode gerar um desequilíbrio na cadeia alimentar natural, a qual prefiro chamar de “Teia da Vida”. Normalmente esses animais são os top da teia da vida, como grandes predadores ou mesmo insetos como as abelhas.
Algo que podemos pegar como exemplo é a comparação de uma Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no pantanal e uma nas cidades, a do pantanal tem que dormir com um olho fechado outro aberto com medo do predador, já as da mesma espécie tomaram conta e se reproduzem com facilidade nos ambientes que contém, represa ou açude. Esta espécie é o maior roedor do mundo e se prolifera com rapidez, na falta de um predador (espécie chave) o aumento populacional logo se instala e com isso vem algumas consequências negativas de ordem sanitária, ecológica e ambiental.
A outra nomenclatura bastante utilizada é o SENTINELA; as espécies ganham esse título pois prestam um serviço de monitoramento e “termômetro” do status epidemiológico de doenças infecciosas transmitidas por vetores invertebrados como os mosquitos causadores de arboviroses como Dengue e Febre Amarela. Um bom exemplo disso são os primatas, especialmente o Bugio (Alloata Guariba) que são altamente sensíveis a febre amarela e indicam aos especialistas (através de animais doentes ou em óbito) por onde o vírus está se deslocando e isso facilita as estratégias de prevenção.
Acostumados a olharmos os indicadores econômicos para direcionamento de estratégias de desenvolvimento social, muitas vezes, nos inibe a enxergar o ambiente como um todo, de pensarmos na saúde do ambiente e no foco de um progresso socioambiental correto abrangendo a saúde humana, animal e ambiental.
Uma coisa é fato: o homem precisa se voltar aos sinais da natureza; deixar de pensar num mundo apenas cientificista e econômico e olhar para um mundo mais ecologicamente harmônico permitindo-se a enxergar um mundo metafisico.
Há pouco tempo atras nos direcionávamos pelas estações do ano, pela lua, pelos ventos, pelos animais, pelo céu…Na verdade tudo é uma dinâmica entre os quatro elementos; terra, água, ar e fogo. No mais, é o que criamos e construímos e se criamos e construímos é falho e mutante.
Ficar atento aos sinais da natureza é sempre um exercício que lhe trará o senso comum de existência como espécie. Ficar somente atento a Selic ou ao dólar lhe conduzira a um mundo, rico (de dinheiro), árido e finito.
Além da questão da camada de ozônio e da emissão de gases, é importante nos atentarmos aos demais sinais da natureza para que possamos ter a sensação de pertencimento do planeta.

Plínio Aiub é médico veterinário especializado em animais silvestres

