Vinho branco de uma tinta

Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

Há quem pense que tomar vinho branco é para quem está começando no mundo dos vinhos e há de fato, quem esteja iniciando nessa jornada que prefira apenas tomar vinhos brancos.

Em ambos os casos, sinto que existe um certo ‘preconceito’ ao vinho branco, como se ele se restringisse apenas à porta de entrada dos vinhos. Mas o que pouca gente sabe, é que o processo de vinificação do vinho branco é um dos mais trabalhosos e que isso muitas vezes, o torna melhor do que muito vinho tinto por aí.

Primeiro é importante entendermos como acontece esse processo, já que diferentemente do vinho tinto, o vinho branco não fica em contato com a casca da uva durante o processo de fermentação.

Só que é na casca da uva que encontramos os taninos, que antes de ser o que nos causa adstringência quando estamos bebendo um vinho, eles são substâncias químicas antioxidantes, que protegem o vinho para ele não oxidar. Sendo assim, o oxigênio se torna um vilão ainda maior no vinho branco e por isso é adicionado dióxido de enxofre (SO2) nele.

Todo esse cuidado é necessário porque a casca não participa do processo de fermentação, logo, vinhos brancos não possuem taninos. E como o líquido da uva é sempre da mesma cor, seja em uvas brancas ou tintas, se torna possível a vinificação do vinho branco usando as uvas tintas, já o inverso, não é possível pois o que dá coloração ao vinho, são as cascas.

E aí você pode estar se perguntando se não é mais fácil trabalhar com a vinificação a partir de uvas brancas.

De fato, é! Mas devido à queda do consumo da bebida, muitos produtores estão surfando em uma onda onde os vinhos brancos são feitos com as uvas que até então, seriam para os vinhos tintos.

Todo esse movimento acontece devido as mudanças não só climáticas, mas também de hábitos da sociedade. Mas, a meu ver, por mais flexível que o vinho seja, nenhuma ‘moda’ tira o protagonismo das tradicionais castas para se produzir um bom vinho branco.

A elegância dele depende de vários fatores, como a região da produção, seu estilo e a uva. Dentro desse universo, as castas mais apreciadas para a produção de um bom vinho branco são a Chardonnay, Pinot Grigio, Sauvignon Blanc e Riesling.

Não é coincidência que o berço dessas castas está entre o norte da França, Itália e Alemanha. Isso acontece porque nos países mais próximos à linha do Equador, desenvolvem-se melhor as uvas tintas, enquanto nos que estão mais distantes, mais precisamente entre 30 e 50 graus, o clima fresco é favorável para o cultivo de uvas brancas.

O frescor desses vinhos, tornam a experiência de apreciá-los, leve. Mas nem todo vinho branco é leve assim, existe uma parcela que passa por um envelhecimento seja em tanques de inox ou em barris de carvalho, que agregam ao vinho um potencial de guarda. Essa ‘brincadeira’ é escolha do próprio produtor e do seu enólogo, agregando mais corpo a ele.

Nós, consumidores, conseguimos notar essas características, quando em taça o vinho apresenta uma cor amarelo palha, ou seja, ele deixa de ser um amarelo límpido e adquire cor com o tempo.

E não só o velho mundo produz bons vinhos brancos, nos últimos dias, participei de uma degustação às cegas e provei um vinho branco do Sul do nosso país, que se encontra em uma região favorável em relação à Linha do Equador, e a surpresa só não foi maior, por eu sempre acreditar que nosso País é um excelente produtor de vinhos brancos.

Ainda por preciosismo, os vinicultores brasileiros investem mais disposição para a produção dos vinhos tintos, mas quem sabe um dia, consigamos provar com mais facilidade, vinhos brancos produzidos ‘em casa’.

Um brinde, com um bom vinho branco brasileiro, e até A Próxima Taça.

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