Desde sempre, as mulheres mudam o mundo

Por Marly Camargo
Cadeira nº 6 – Patrono: Mário Quintana

Lá vem mais um Dia Internacional da Mulher e as manifestações em torno da data tomam conta das redes sociais, das ruas e – como é o meu caso – das salas de aula. A data de 8 de março é pretexto para essas ações, no mundo todo, desde 1917, quando mulheres trabalhadoras no setor têxtil entraram em greve e uniram-se para reivindicar melhorias nas condições trabalhistas.

Atualmente, ouve-se muito que “lugar de mulher é onde ela quiser”. De fato, as mulheres conquistaram o direito ao voto, à licença-maternidade, bem como há aquelas que exercem funções de mais destaque social, nas empresas públicas e privadas – tendo, lamentavelmente, salários inferiores aos homens. Mas abro parêntese para refletir: até que ponto as mulheres de hoje são realmente “empoderadas” e respeitadas com a dignidade de um 8 de março?

Lembro-me de uma antiga frase: “a mão que balança o berço é a mão que governa o mundo”. Imbuída dela, coloco-me a pensar em Marie Curie, Nise da Silveira, Maria da Penha, Malala Yousafzai, Maria Montessori, Rosa Parks, Chiquinha Gonzaga, entre muitas outras que tiveram que travar, diariamente, lutas parecidas com a das operárias responsáveis pela instituição do Dia Internacional da Mulher. A cantora Vanusa lançou um livro intitulado “Ninguém é mulher impunemente”. E, no nosso dia a dia, infelizmente, o título dessa obra faz bastante sentido. Parece que estamos sempre precisando provar nosso valor, pois só termos útero não basta.  Este ano, entre as muitas mulheres que fazem parte da minha vida, escolho uma para simbolizar todas as minhas amigas brilhantes, guerreiras e inteligentes: Maria Cândida de Oliveira Costa, ou Can, como a chamamos. Can, que atualmente é Presidente do Lar do Pequeno Vicente e um verdadeiro exemplo na Educação, é uma pessoa cuja alma virtuosa tenho o privilégio de conhecer. Sempre generosa, ela pratica a caridade de forma genuína em seu cotidiano, o que a torna ainda mais admirável entre nós.

Como professora, sugiro que aproveitemos a data para promover conversas reais, que contemplem de verdade os nossos desafios no cotidiano do trabalho, ou coloquem luz em questões que, de tão profundas, nem nos damos conta que vivemos. Para falar a verdade, tem coisas que só recebemos no Dia Internacional da Mulher: ganhar bombom e “parabéns por ser tão guerreira”; palestras com temas estereotipados (só para cobrir a data); fazer ações isoladas e esquecer da pauta nos outros dias do ano; colocar só a equipe feminina para trabalhar na data, achando que isso é valorizar o trabalho delas; falar que lugar de mulher é onde ela quiser, mas não dar oportunidades para que elas ocupem espaços de poder; ou conversas superficiais e frases clichê, que não representam a rotina das trabalhadoras e seus desafios reais.

Não queremos ou precisamos ser cumprimentadas só em 8 de março ou só nas redes sociais, pois, modéstia à parte, nosso papel é vitalício no sentido literal dessa palavra – você, leitor, nasceu de quem? Quantas mulheres já passaram pela sua vida e foram responsáveis para sua construção, como pessoa? Sim, sem a nossa contribuição, não teríamos nada do que usufruímos hoje – todos os inventores foram gerados por uma mulher, sendo que elas também inventaram muitos artefatos para melhorar e facilitar a vida diária. Já se perguntou o porquê da marca Melitta, no coador de papel ou no café solúvel? Ou pensou em quem inventou o limpador para-brisas ao usá-lo? Não, não vou dar respostas! Acesse o “Dr. Google” e… Feliz 8 de março a todas e a todos!

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