Quando a ‘arte’ do coração nos prega peças

Por Marly Camargo
Cadeira nº 6 – Patrono: Mário Quintana

Com a chegada de mais um “Janeiro Branco”, em alerta à importância de cuidar da saúde mental, há alguns dias fui surpreendida pela preocupante notícia de que a minha tão querida prima, amiga e confreira, Clineida Junqueira Jacomini, havia sofrido um infarto. Difícil de acreditar, mas era verdade! Peguei o celular, logo de manhã, e lá estava a mensagem que, embora triste, parecia mais uma das “quebras de protocolo” e surpresas, tão próprias da personalidade alegre que essa amiga tem. Sim, Clineida é a mestra dos improvisos e pregava-nos mais uma peça logo de manhã. Se essa situação acontecesse com alguma outra pessoa, com certeza eu ficaria preocupada, mas não tomaria a mesma dimensão e o medo de perdê-la que tive.

Ao pensar na sua postura tão autêntica diante da vida – sempre a transformar encontros formais em eventos imprevisíveis, com respostas afiadas e uma gentileza inesperada na mesma frase – imaginei como Clineida estaria com a formalidade do hospital. Olhar para as roupas brancas, os protocolos rígidos, responder perguntas mecânicas dos médicos… como ela se sairia? Com certeza, o protocolo seria quebrado!

Felizmente, correu tudo bem! Os médicos fizeram exames, realizaram um cateterismo, colocaram um stent. E aquele coração – que sempre esteve aberto para todos – agora conta com um pequeno reforço para seguir batendo com intensidade, verdade e generosidade. E não me surpreenderia se, mesmo deitada na cama, Clineida começasse a dar conselhos para os médicos, pois ela sempre teve esse dom: o de se envolver, o de se importar, o de transformar qualquer conversa em algo mais humano e profundo.

Ah… Essa Clineida encantadora, sempre bem-humorada, levando uma vida repleta de eventos culturais, sem “tempo ruim”: lá vem ela, “pela estrada afora”, faça sol ou faça chuva, alegrando-nos em todos os momentos que está presente!

Neste mês, em que ela celebra mais um ano de vida, aproveito esse susto para refletir sobre a importância de cuidar muito bem da saúde física e mental, bem como de manter as relações de amizade sempre fortes – um cuidado que sempre fez parte da essência dessa amiga.

Não podemos ir para a cama sem pedir perdão aos que amamos. Não podemos adiar aquele café com amigos nem carregar mágoas! Afinal, talvez hoje seja a última vez que vemos alguém querido. Então, semeie a paz e a amizade!

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