O circo

Por Luciana de Andrade Ferreira Gomes
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Lembro que era um programa muito feliz ir ao circo; a todos que vinham para São João, minha mãe me levava. Eram montados no DER, se não me falha a memória, onde hoje é um supermercado.

O picadeiro redondo era maior ou menor e os assentos com tábua eram melhores ou piores, dependendo da qualidade do circo. Mas, me parece que todos os ingressos eram no mesmo valor; os da primeira fileira tinham a melhor visão do espetáculo. A pipoca e o algodão doce eram presença garantida.

Ficava esperando o palhaço e não gostava do globo da morte! Acho que ficava ansiosa com o barulho das motos e as luzes todas apagadas e sempre achei que alguém ia sair machucado de lá; mas meu pai dizia que isso não aconteceria.

Os palhaços eram carecas ou cabeludos; com perucas ou sem; sapatos e narizes enormes; contavam histórias, cantavam, faziam mímicas, eram equilibristas, acrobatas, malabaristas…

Sentia um frio na barriga só de ver as pessoas subindo para o trapézio e quando não colocavam a cama elástica embaixo, eu ficava só pensando: _Será que estão certos em fazer isso?

Numa das vezes, em que teve uma apresentação dos artistas vestidos de índios tive a certeza que eram índios mesmo, de tão incrível que foi!

Na semana que passou, fui a um Congresso e ganhei o convite, de uma empresa da qual somos parceiros, para ir ao Cirque du Soleil que está atualmente em temporada no Brasil. Fiquei tão feliz, mas tão feliz, que parecia que estava na infância!

O picadeiro era uma pista de patinação de gelo; a arquibancada, a tenda, a entrada, os artistas, o figurino, o espetáculo… Uma beleza sem fim!!!!

E foi numa cadeira em frente ao picadeiro, após muitos anos, que entendi porque tudo dava e dá certo!

Dá certo e eles não caem e se machucam na hora do show, porque já caíram muitas vezes! Já se machucaram, fizeram e repetiram inúmeras vezes a mesma coisa para que tudo aquilo fosse realmente um espetáculo!

Uma apresentação impecável onde a dança, as acrobacias e malabarismos são sincronizados com a música e com as luzes. Tudo é “perfeitamente perfeito”!!

Saí de lá encantada e com algumas lições que vou levar para a vida toda: O passado, por mais feliz que tenha sido, ficou para trás!  Mas, o hoje pode ser tão incrível como aquele espetáculo, porém, diferente do circo de tantos anos passados.

Quanto mais eu repetir, qualquer técnica que seja, melhor eu serei naquilo; a repetição pode fazer/trazer uma obra prima!

Ah! E o tempo… Nem todas as respostas vêm na hora que queremos! Essa demorou mais de 30 anos! Ops! acho que 40!!!

O importante é que vieram! E eu aprendi e apreendi!

E ainda tenho a oportunidade de repassar aos meus diletos leitores!

Não é um bom espetáculo isso?

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