Semana da Dioma

Por Clineida Junqueira Jacomini
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Para a Dyra, com amor!

(Com o devido respeito era assim que meu pândego marido Bi chamava nossa pianista maior, a ilustre Guiomar Novaes, a quem tive a honra de assistir um dia e poder reverenciar hoje).

Quero começar dizendo que São João nos setembros de todos os anos sedia altos eventos culturais, músico-teatrais; eruditos e ou nem tanto.

Várias entidades são responsáveis para que tudo se transforme num sucesso de arte e público. Uma Semana realmente notável. Ultimamente os shows têm saído do Teatro e centro e partido para os bairros periféricos que merecem atenção e acesso à arte. Fui a alguns e sai feericamente satisfeita, já que meu combustível é a boa música. Curti até, em meio a um bando barulhento de crianças, a figura do inesquecível Ziraldo de cabelos e sobrancelhas brancas. O ponto alto para mim, que valorizo a ‘prata da casa’ já que moro numa, foi a apresentação magistral da Orquestra Jazz Sinfônica na cidade das Artes no domingo. Hora ruim, inoportuna, mas com público seleto e reconhecedor dos méritos dessa grande Orquestra que está perigando quanto a continuar existindo por falta de incentivo e vontade das autoridades locais. Um repertório eclético; uma fala culta e educativa do maestro Agenor Ribeiro Neto e a performance de grandes músicos e cantores. No sábado, dia 21, nossa Academia de Letras homenageou Dyra de Oliveira, pessoa conhecida e importante na escalação dos nomes que compõem a Semana desde sempre. Ela tem um nome estranho, ganhando do meu: Diranjaria, adequação do tupi, Dirajara, que significa Senhora das Armas, bem adequado a ela, uma verdadeira guerreira. Dyra nasceu em Porangatu, GO, em 1965, mas foi criada em São Paulo. Pedagoga de formação, mora na capital há 35 anos.  Casada com Marlon Mendes há 24 anos, tem extensa experiência profissional em Coordenação de Produções Artísticas Culturais, Curadoria Artística, Administração de Espaços Culturais. De 2012 a 2022 coordenou os festivais da Mantiqueira, Teatro Infantil, Semana Guiomar Novaes, Virada Cultural Paulista, Festival Paulista de Circo e Revelando São Paulo. Atualmente ocupa a posição de Superintendente Técnica Cultural na APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte. Agora é cidadã sanjoanense e confreira honorária de nossa Academia. Reconhecemos assim pessoas de grande valor cultural.

Em nossa sessão no Teatro da Estação, a grande soprano, Edna D’Oliveira cantou lindas canções de diversas épocas e estilos musicais acompanhada ao piano por Aragoni. Algumas acadêmicas recitaram os textos, antes das músicas serem cantadas, fazendo com que todos entendessem o que era ‘dito’ musicalmente em outras línguas. O significado, entendido, faz uma grande diferença na apreciação de uma música!  De lá seguimos para o Teatro e nos encantamos com a Orquestra Sinfônica Villa Lobos tocando Piazzolla, com o maestro educando a plateia quanto à influência de Bach e de nosso Villa na obra do portenho famoso. E o show de Ana Canãs, performático e vibrante, dia 20 fez o público cantar Belchior, ‘como nossos pais’!

Outra noite memorável foi a da encenação de Fígaro, o barbeiro de Sevilha, com 3 cantores no palco entoando trechos longos e perfeitos e acompanhados (e tão somente, fazendo as vezes de uma orquestra!), de um pianista maravilhoso! Fígaro lá…Fígaro cá…Dia 16, Lucinha Lins e seu lindo filho Claudio marcaram presença muito simpática e alegre no palco do Teatro.

Mais dias e noites eu poderia (e desejaria!) ter ido e me emocionado. Não deu! Enfim, foi uma Semana que enfocou crianças, adultos e idosos, que a prestigiaram com suas presenças! Mas, sem autoridades locais! Estranho, isso!

Em tempo, aos postulantes à PM e edilidade: Não deixem nossa Jazz acabar!!!

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