Taninos: o que atrai degustadores e distrai amadores

Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

Já vi muitas matérias tentando explicar o que é o Tanino. Para mim é simples: tanino é aquilo que todo amante de vinho busca encontrar na bebida e, ao mesmo tempo, é aquilo que para quem não surfa nessa onda; vai deixar de apreciar o vinho justamente por conta do seu tanino.

Eu poderia aqui dizer de várias formas o que é um tanino, mas o papo aqui não é esse, mesmo porque se eu te disser que tanino é o que deixa sua boca com a mesma sensação de ter comido uma banana verde, você provavelmente não vai querer provar mais vinhos tintos.

Mas se eu te disser que o tanino de um vinho vem da casca dele, você logo saberá que vinhos brancos não possuem taninos, já que em sua produção a casca é descartada.

Inclusive, essa é uma maneira legal de se falar de taninos, falando sobre o vinho branco, justamente o vinho que não tem tanino e também o vinho mais difícil de produzir, pois como o tanino que se encontra na casca da uva, é uma substancia antioxidante, para que o vinho não oxide é necessário acrescentar Dióxido de Enxofre (S02) nele caso contrário, a chance de se perder uma produção inteira, é altíssima.

Mas o tanino não é importante apenas durante o processo de produção do vinho, mas também durante o desenvolvimento do fruto. Ele funciona como um “repelente” para ele, inibindo que predadores o comam enquanto estiver na videira.

Por vezes, o tanino deixa os enólogos em uma “saia justa”, pois a uva já está pronta, mas o tanino ainda não. E se permanecerem na parreira para esperar o amadurecimento desse tanino para a colheita, o álcool pode se destacar e roubar a cena do vinho em taça.

Isso acontece principalmente em países com altas temperaturas e foi justamente por entender essa questão que a Argentina deu um grande passo em sua produção, quando resolveram levar os parreirais para regiões mais frias, impedindo assim que o calor não amadurecesse tão rápido a uva. Dessa maneira, conseguiram encontrar um equilíbrio perfeito para a maioria dos seus vinhos.

Já vi muita gente falar que não gostou de um vinho porque o acharam ácido ou muito tânico, mas, na verdade, a sensação que elas não gostaram muitas vezes não é causada pelos ácidos ou pelos taninos. Aliás, na maioria delas, elas não souberam se quer diferenciar a acidez do tanino.

Então, abra o seu vinho aí enquanto eu vou daqui te contando como fazer para entender em paladar, essa diferença. A acidez é uma sensação gustativa, sentida principalmente na lateral do paladar e ela vai te fazer salivar; já o tanino vai te dar a sensação de “secura” e você vai senti-lo principalmente em cima da língua. E, por isso, um vinho equilibrado é aquele que traz um tanino que seca a boca com a acidez que garante o frescor para contrabalancear com essa secura.

Se você quiser ir um pouco mais além, é fácil decifrar se o tanino do vinho que você está provando é bom ou não. Costumo chamar de grosseiro aquele em que, ao passar a língua no céu da boca, você tem a sensação de estar passando ela por uma lixa. Já se você sentir a sensação de estar passando por um tecido como um jeans, você está provando um vinho com um tanino razoavelmente bom. Mas, se ao passar a língua pelo céu da boca sentir que estar passando em um veludo, aí sim você encontrou um tanino muito elegante naquela taça.

O tanino é um exemplo clássico de que para se entender de vinhos. Não basta ler o que está nos livros, é necessário entender as sensações que estão dentro da taça.

Um brinde a cada sensação degustada e até a próxima taça!

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here