Por Clineida Junqueira Jacomini
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Sim, ainda sou eu, mas com minha querida amiga Silvia Ferrante. Polivalente, ela vai desde fazer bonecas de pano a fotografar tudo de bonito que a vida lhe apresenta; escreve, canta, fala, cuida de todos que precisam dela e…poetiza lindamente. Sem rimas, ‘livre, leve e solta’, como reza o ditado tem como tema o amor, as borboletas, a vida… Seu último livro: “Sentimentalidades” lançado dia 15 de março p.p. em nossa Academia de Letras, contou com a presença de seus amigos e da bailarina Marta Jacintho, que dançou lindamente ao som dos poemas mais representativos que a autora ia lendo. O evento então ficou tridimensional e ‘vimos’ encenadas as palavras tocantes de Silvia. Foi bonito demais da conta! Disse a ela que seus poemas são os únicos que gosto, pois parecem crônicas do cotidiano, ‘minha praia’ desde sempre! Compartilho alguns deles:
A CANÇÃO DO MAR
O mar nunca silencia
as ondas vêm e vão
em seu constante cantar
Esse som/música
preenche meu vazio
canta para a minha solidão
O mar ora verde, ora azul
está sempre a me chamar
Algumas vezes vou até ele; em outras finjo nem escutar.
PALAVRA
Palavra
Pá que lavra meu pensamento
que faz brotar o sentimento
Palavra
Pá que lavra meu coração arisco
Pelo qual arrisco tudo de mim
Palavra
sentimento que lavra
que transforma meus desertos
numa profusão de flores vivas…
O que seria de mim
sempre solitária sem elas?
SONHO DE AMOR
Ainda sonho poder viver
mais um momento de êxtase
de encontro de almas, puro prazer
Meu coração não envelheceu
ainda tem os mesmos sonhos
que a menina sempre sonhou
delírios de afeto, de amo
Embora o espelho mostre
as marcas do meu tempo
minha alma vagueia solta
pede novos momentos
emoções à flor da pele
Vivo, busco e me perco…não paro
Sonho infinitamente só…
ASAS
Te dei asas
também as uso
Não as tuas; as minhas
Imaginei que assim
alados voaríamos juntos
por céus desconhecidos
Flutuaríamos por novos horizontes
que se descortinariam para nós
encontraríamos a tão sonhada paz!
Te dei asas
ainda uso as minhas
tenho voado em total solidão
buscado novos ares
vislumbrado outros azuis
sonho bom esse…o de voar…
INSTANTE DE MAGIA
Se o abraço é abrigo
o que será do beijo
em que me inspiro?
Posso fechar os olhos
e imaginar mil estrelas
voar e me perder
nesse instante mágico
Viver esse momento único
como se nada mais
restasse no mundo
E mesmo que dure
alguns segundos
será a eternidade
para mim…
REQUIEM
Quando eu morrer
façam cinzas de mim
joguem-me ao vento
deixem que eu
me espalhe por todo universo
Quando eu morrer
não me prendam
num escuro frio qualquer
não me deixem ficar sufocada
pela falta da luz e do calor
Minha cruz, já carreguei
Permitam que eu goze na morte
de toda liberdade
que me roubaram em vida
permitam que eu siga em paz
por essa jornada
que eu possa sobrevoar
essa estrada e ver lá
de onde estiver
todas as coisas do mundo
E por nenhum segundo
pensem que deixei de viver
pois sendo pó
vou misturar-me a essa terra
impregnar suas veias
pulsar viva novamente
no broto de uma planta qualquer
mais tarde quando a borboleta vier
sugar minha seiva
encontrarei a liberdade
em suas asas coloridas
voarei sobre os campos
poderei me encantar
com tanta vida
Voar e viver
ter a eternidade
Ser então infinita.




