Valor Animal

Quanto vale um animal? Depende! Os animais de produção como porco, galinha, boi, cavalo, carneiro e todos os que nos servem nas fazendas têm detalhadamente um preço, seja por peso, por raça, por oferta e demanda ou por aptidão. Os Pets também já têm os seus valores, seja por raças, por genética, preços de canis criadores, preços de fábrica de cães e gatos…. Tudo já está contabilizado no famoso mercado pet que, entra ano e sai ano, só cresce.

Uma vez dado o preço do animal, daí pra frente vem o custo de se mantê-lo. Nessa hora, em se tratando de um pet, é ótima a comparação com um filho. Se pensarmos que vamos conviver com um animal até os 15 anos em média, quanto é a fatia que você entregará ao mercado pet? Alguém faz essas contas, além dos criadores de canis sérios?

_“Por isso que eu não compro, só adoto!” Dirão os mais conscientes! Ledo engano, pois o mercado pet também atingiu em cheio os desamparados e errantes. Existe um valor para custear a causa animal. Não pense que por uma castração ser oferecida de graça, não custa nada ao contribuinte ou a alguém. Há muito trabalho envolvido para conquistar os direitos dos animais e, na humanidade, depois da escravidão, onde tem trabalho tem preço. Voluntarismo ‘com chapéu alheio’ não vale.

Graças a algumas leis, quase toda Prefeitura destina verbas para a causa animal. O curioso é que, por lei, o cão e o gato deve ter uma posse responsável e não pertence à federação e à fauna brasileira, sendo que essa, sim, é de responsabilidade das entidades públicas e, naturalmente, deveria ter mais acesso ao erário público.

Os pets desamparados e errantes, (na maioria fruto de erros da humanidade), são cuidados pelas ONGs e voluntários (todos atrelados ao mercado para cuidar dos animais); ou seja, mesmo que difícil, a causa animal tem atenção. Muitos na luta diária, com as próprias mãos e recursos; outros com disponibilidade de valores da nossa arrecadação tributária e/ou doações, chegando a valores reais aplicados em programas de bem-estar animal, especialmente esterilizações. Portanto, se tem insumos; tem dinheiro; então tem mercado.

O valor do dinheiro está maior que a razão. A vontade de ter um animal extrapola o cálculo de quanto ele custa. Na causa animal, muitos adotam sem o mínimo planejamento orçamentário. Mesmo que supervisionado pelos agentes da causa, a conta não fecha e o animal e sua presença no lar são subestimados. A conta vem e a desilusão se instala, e por todos esses motivos relatados e vividos, nesse cenário o único a se beneficiar é o mercado.

Para os quem têm possibilidades, existem outras garras do mercado. Aquele que transforma em possibilidades qualquer custo que o animal precise, nem que tiver que gastar um monte, não importa! E nessa, o mercado e muita gente ganham bastante, e dessa vez não por subestimar, mas sim por sobrestimar.

O pensamento correto é que, em um país como o nosso, que ainda não resolveu nem seus problemas sociais, todo cuidado é pouco na hora de calcular gastos para os animais de estimação. O exagero é tão feio e ofensivo quanto à carência, num país onde temos tantos seres humanos desamparados.

Se liga! Tem gente que adoraria ter a atenção da causa animal, bem como um pedaço do luxo dos super pets ricos!

Plínio Aiub é médico veterinário especializado em animais silvestres

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