Livros… queridos livros!

Por Clineida Junqueira Jacomini
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Para quem lê e crê!

Estou lendo Fernando Sabino, excelente cronista, mineiro assumido e bom de prosa. Mas, como já escrevi (ou apenas pensei), para gostar de seus escritos tem que se ter uma bagagem; nesse caso, saber um pouco de mineirês. Acontece o mesmo com os livros do Jô Soares. Se o leitor não tiver um mínimo de cultura geral, saber História e conhecer o passado, irá achar os livros pra lá de chatos! Sem significado algum!

Assim penso ser em todos as situações lidas. Passeamos pelo mundo todo, conhecemos e delineamos perfis, os mais variados, conhecemos regionalismos, aprendemos e aprendemos e aprendemos…  Com alguns autores isso acontece com mais certeza que outros. Emprestaram-me um livro cujo autor havia sido premiado com o Nobel. Gente! Nunca vi coisa mais chata na minha vida! Só nomes, nomes e daqueles europeus onde não se vê vogais; só consoantes. Um horror! Assim também me aconteceu anos atrás quando lia Agatha Christie. Eram inúmeros personagens de nomes também escabrosos e eu então para guardá-los colocava apelidos, quase sempre o início de seus nomes escalafobéticos.

Com a Bíblia Sagrada também me acontece o mesmo. Alguns, poéticos, como os Salmos, o Eclesiastes, Provérbios, Cânticos; uns lindos como Ester, Rute… outros com relatos tristes como o livro de Jó; quase todos como resenha da vida cruenta de um povo; outros, maravilhosos contando a vida de Jesus na terra; não sem, também, relatar seus momentos de padecimento e dor. Legalistas como Levítico, Deuteronômio e Números com regras e mais regras de obediência e bem viver; Êxodo e a saga da saída do cativeiro. Mas, tem um que me tirava do sério: Gênesis, 5. Só nomes e descendência árida! Comentando isso com um grande amigo, o reverendo Odayr Olivetti, expert nas escrituras e exegeta por excelência, me confidenciou que, exatamente através desse capítulo insonso, muitos haviam se convertido. Admirada, depois disso também tive a oportunidade de ouvir um sermão exatamente sobre esse capítulo onde se lê, várias vezes: Fulano gerou a sicrano; viveu tantos anos; teve filhos e filhas; todos os dias de sua vida foram tantos (repete a quantia) e morreu. E na Bíblia e fora dela, não sobra unzinho para contar diferente a sua história! Essa não parece ser a descrição de nossas vidas desde que o mundo é mundo?  A morte é a única certeza para todos!  Isso nos leva a refletir que tudo é vaidade como nos assegura Provérbios. Pensando na finitude de nossa existência, não deveríamos ser mais humildes, mais simples, mais humanos, melhores?

E nesse quase início da Semana Santa, nada melhor que uma reflexão séria sobre nosso passado; nosso presente e nosso futuro!

E muito cuidado… e sempre, com o que sai de nossa boca; não com o que entra, que é de somenos. Peixes caros; chocolates; coelhos malucos e por toda parte… Semana Santa verdadeiramente não é isso! É pensar no Redentor que ainda vive, como diria o paciente Jó.

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