
Pelo nome, o espaço já estará aberto a todas as leitoras, felizes noivas, hoje senhoras, mães e avós, quiçá bisavós de nossa região. Quem não a conheceu com seu rigor e eficiência? Seu nome era conhecido e seu trabalho além de perfeito, desejado por quem queria um vestido perfeito, adequado a cada tipo e que faria sucesso nessa data tão importante para todas as mulheres!
Ela começou muito cedo, mas mostrou-se tão boa no que fazia que sua fama extrapolou os limites da roça onde nasceu e morou até seus 14 anos, em Santo Antônio do Jardim. A mais velha de 7 irmãs, batizou a caçula, a também querida Vera, professora falecida precocemente. Suas irmãs: Helena, Adelia, Marilena (Neguinha), Beatriz, Idalina e Vera Lúcia. Teve 4 filhos: José Luiz, Claudia Maria, Maria Silvia e Renata, a temporã. Seu marido, o Zeca, tinha um empório na rua Riachuelo, esquina com a Rio Branco e era uma pessoa também especial: calmo (ao contrário dela, sempre agitada e enérgica!). Sua filha mais velha faleceu precocemente o que a fez sofrer demais! Seu vestido de noiva, diferente, ousado, ficava exposto em sua casa perto do Santo André. Yollanda, sempre muito sincera e de personalidade forte, era católica fervorosa e muito amiga das irmãs andrelinas, às quais visitava frequentemente, ajudando nas missas e eventos. Tinha em sua casa uma capela, com muitos santos de sua devoção. Nela se casou minha amiga Vera, na década de 70. Mas, uma pessoa, evangélica quando trabalhou em sua casa, numa das reformas, levava diariamente versículos bíblicos e lhe dava para ler, a convencendo a ler a Bíblia Sagrada e ela foi mudando sua forma de pensar sobre religião. Então se converteu ao protestantismo e escolheu a Igreja Presbiteriana local, pois seu sobrinho Maércio já frequentava essa igreja. Daí por diante era a pessoa mais animada e frequente daquele lugar de adoração a Deus. Seu testemunho nem era diário: era de minuto a minuto, com publicações, falas oportunas, presença constante em todos os eventos etc. Ultimamente no grupo de mulheres da igreja ela publicava às primeiras horas da manhã, já que acordava muito cedo, um devocional que mexia com a espiritualidade de todas, alcançando sempre mais almas para Cristo. Mesmo com idade bem avançada e problemas de coluna de tanto costurar, ainda jejuava como maneira de agradecer e louvar ao seu Deus.
Em seu oficio fúnebre, com cantos e orações, o pastor Ronaldo comparou-a a Dorcas, a viúva exemplar citada na Bíblia que tanto ajudava o próximo com suas costuras e boas ações. Anos atrás, O Município e seus amigos prepararam uma homenagem significativa em seus 70 anos de profissão. Em 2015, reuniram fotos e exemplares de lindos vestidos confeccionados por ela, na rua Gal. Carneiro, Espaço Sibin: “As noivas de Yollanda”. Ela ficou radiante! Me pediu fotos de meu casamento com meu vestido de renda feito por ela em 1966 (e sem me cobrar nada! gentileza pelos laços de amizade tão grandes que sempre nos uniram!). No álbum “Mulheres de São João” feito pela Neusa Menezes e seu filho Eduardo Menezes, em 2008, foi homenageada, merecidamente, o que a deixou muito feliz.
Além das noivas, muitas pessoas foram ligadas à ‘madrinha’: foi tutora desde os 16 anos da Regina Célia, que mora com ela há 45 anos; amando-a e servindo-a! a Solange, sua ajudante de costura; D. Bimbe Buzon; Rita; Narinei (quase 30 anos juntas!); as bordadeiras que recebiam seus vestidos para fazerem com perfeição seu trabalho final…
Eterna costureira perfeita, ao me encontrar (e a muitas mulheres!), arrumava minha blusa, endireitando os ombros, mesmo que ela estivesse perfeita! Coisas de Yollanda!
Enfim, voltou ao Pai, a Quem sempre honrou, uma verdadeira cristã, corajosa, sincera, enérgica e habilidosa em tudo que fez nessa vida! Incansável em todas as áreas em que atuou! Foi uma mulher especial! E será sempre: Inesquecível!
Clineida Junqueira Jacomini




