POR LUCINDA NORONHA
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Segunda-feira, 24 de julho de 2023. Andamos cerca de 13 mil passos, segundo o App do celular, Robson e eu, por Montevideo, Uruguay. Foram alguns pontos turísticos que nos prenderam a atenção.
Em um autobus com destino ao que queríamos visitar, um jovem, da idade do nosso filho mais velho, perguntou:
“¿Desfrutando las vacaciones? A mi me parece que son maestros…” Respondi que sim e perguntei como sabia que éramos professores. Ele então me disse que seria capaz de reconhecer de longe porque era filho de professora. Enfim, nem sei por que entrei nisso. Era pra contextualizar mesmo.
Seguimos o percurso, mas a vinícola que queríamos visitar estava fechada.
“Não importa — disse Robson — estamos passeando, não é?” — justo ele, metódico como é, disse isso, então continuei tranquila.
Vimos lugares e pessoas diferentes, observamos as casas, as formas das construções cercadas de plantas, as arquiteturas e os que transitavam por elas. Incrível é como tudo parece se somar numa viagem. E o que se soma toma uma nova edição de tudo aquilo que compreendemos ser a vida de cada um.
Por fim, perto do hotel, encontramos um lugar que nos parecia ser apetitoso. Um restaurante chamado El Viejo Sosa. No cardápio, havia uma entrada para duas pessoas — tortilla con papas. Foi o que pedimos. O prato chegou e, de cara, era algo familiar. Na primeira fatia um gosto da infância. Era exatamente a mesma fritada espanhola que minha buela fazia às segundas-feiras que, sendo dia de faxina — marca registrada das mulheres da família (embora eu mesma tenha quebrado a regra) — era o prato mais rápido a ser servido.
Fui resgatada a um passado pelo aroma e pelo sabor de um prato cheio de memórias afetivas. Uma viagem, um passeio, uma parada a um restaurante qualquer de uma das pontas da América do Sul. Tudo resumido em uma tentativa de sair de casa e, ao mesmo tempo, de voltar à casa interior que eu nem sonhava encontrar novamente.
Não me restam dúvidas! Viajar é sair de si e poder voltar a si. Algo mágico que reúne sentimentos que só se explicam quando vividos. Talvez seja por isso que o poeta esteja certo quando diz que “para viajar, basta existir!”.




