Recrudescimento e Resiliência

Por Clineida Junqueira Jacomini
[email protected]

Recrudescer: eta palavrinha feia, possante e na moda! Tudo parece não seguir o ritmo e direção certa e se acentua no sentido pior. A contaminação, o medo. As mortes, os sintomas, as demissões, a derrocada financeira, as críticas, o desânimo, o isolamento, as festas, a alta de tudo, as UTIs, a nova cepa….

Por outro lado, a tal resiliência, palavra nova, tem se mostrado à tona de todos. O ser humano é forte e sua natureza mostra isso. Nenhum parâmetro conseguiu provar o índice da capacidade de aguentar medos, dores, sofrimentos, misérias…de um homem. Já ouvimos dizer: Aquele tinha tudo para morrer…e não morreu! Aqueloutro não tinha nada…e se foi! Naqueles mórbidos e tenebrosos tempos das prisões na Sibéria, da União Soviética, debaixo de dezenas de graus negativos, apanhando, sem comida, sem sol, sem agasalho…quantos sobreviventes nos relata a história! E os campos de concentração nazistas? Indescritíveis seus horrores, não fossem os inúmeros de livros dos sobreviventes! E os judeus sobreviveram para terem sua terra, voltando a ela e lutando até hoje contra o preconceito antissemita de grande parte do mundo!

O que o ser humano precisa para viver? Alimento, agasalho, água, descanso…. Basicamente! Mas também lhe adoça a alma: amor, amizade, respeito, atenção, diversão (lembram-se do latino> Panem et circenses?).

Precisamos de tão pouco, realmente e, injustiça eternal: uns com tanto; outros com quase nada! Vi que o índice de pobreza em nosso país, apesar de ter havido uma pequena queda, está em 31,6%. É muito, não?

Pois é. Agora outro verbete, prá mim desconhecido até então: Evergetismo. Aproveito para compartilhar, ou melhor, ‘destacar’, como estão usando agora no Face book, sendo uma idosa moderna e antenada.

A palavra evergetismo possui muitos significados e distintas aplicações, sendo utilizada desde o período da Grécia antiga. Pode ser definido como uma prática de doação, ou seja, pessoas que ocupavam altos cargos, tais como políticos e aristocratas financiavam obras ou até mesmo davam quantias em dinheiro para beneficiar as pessoas e as cidades. Ao invés de ser denominado de doação o termo correto utilizado na época era evergesia. Era de se esperar que um evérgeta (pessoa que faz o ato da evergesia), também arcasse com as despesas públicas.

O ato do evergetismo pode ser dividido em duas partes: o evergetismo livre, onde um cidadão, mesmo fora de seu cargo ou posição política e que possuísse recursos para exercer uma evergesia, fizesse por uma livre espontânea vontade uma doação. Em contrapartida existia o evergetismo ob honorem que era praticado principalmente em épocas de eleições, para que a população votasse em determinado candidato, que praticava algum tipo de evergesia tornando assim uma obrigação do candidato e do eleito fazerem isso em troca do cargo.

Pois não é que, mais de 20 séculos depois dessa época estamos vivenciando isso! Talvez (com certeza!) os políticos e dirigentes não saibam o que é; como se chama, mas praticam isso a toda hora! É uma troca/troca, barganhas, escambos de dinheiros … (e público!), o tempo todo, em Brasília sobretudo! E se esse evergetismo fosse para com os pobres, miseráveis que estão grassando, Brasil afora, seria bem humano, cristão e legal! Mas, não! São para os políticos fazerem proselitismos em seus currais eleitorais; são para ganhar votos; são para manter suas siglas no poder; são para continuarem prepotentes; são…são…são… nada santos!

Ah! Mundo ingrato e desumano, hospedando humanos esquálidos e outros bem obesos! Comida faltando para os primeiros e farta para os últimos!    Mas, quem se importa? Afinal, a diferença entre farta e falta é só uma reles letrinha!

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here