Por Clineida Junqueira Jacomini
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Não; não me refiro à famosa frase e dilema de Hamlet; sou mais tupiniquim; nunca peguei numa caveira; não sou da nobreza e vivo num lugar quente, aliás, ficando mais caliente ultimamente no clima e nas manifestações populares. É que estava outro dia cortando e tingindo meu cabelo e fiquei, mais de 40 minutos parada, sem fazer nada! Sempre carrego comigo revistas de passatempos (inteligentes!), mas não queria sujar as hastes de meus óculos; então fiquei assim, paradíssima! Sempre me tive em conta de preguiçosa; adoro não ter compromissos; nem afazeres chatos; ter tempo para mim mesma…, mas agora tenho que reconhecer que não sou propriamente assim ociosa: estou sempre ocupada com alguma coisa útil. Ou fazendo crochê, ou lendo, ou escrevendo, ou assistindo a bons filmes, ou fundindo a cuca, (não a verde do Sítio) com grifogramas, palavras cruzadas etc. E viva!
Dizem os povos orientais, mais afeitos à meditação e espiritualidade que devemos ficar algum tempo sem fazer nada, com a mente aberta para que novas ideias apareçam e se instalem, meditando e ascendendo a outros e elevados planos. O que seria o certo e ideal? Acabei de ler uma frase de Xenofanes, um filósofo grego, pré-socrático: “Verdades claras e perfeitas nenhum homem as vê, nem conhece. Tudo é questão de opiniões”.
Queria recordar o povo nas ruas, ora desativado por medo e ordens superiores e as brigas nas redes sociais. O que pensar? O que dizer? E o que é pior: o que fazer? Temos que, resignadamente aceitar tudo que grassa por aí? Engolir, engolir e ainda rir? Sou suspeita para falar, pois morro de medo de multidões e abomino brigas! Acho que a verdade é que, na verdade, tenho é medo de morrer. Uma pessoa é tímida; duas, se reforçam; três já têm cara de comício… e mais que isso já têm força e jeito de guerrilha, revolução… Da multidão saem pessoas insanas, aproveitadoras, vândalas, saqueadoras… E ninguém, nem polícia, nem cientista político, nem líderes dominam alguém ensandecido. Sua força parece recrudescer de tal maneira que tudo fica insustentável! E mmuuiittoo perigoso! E das celeumas na internet saem brigas; dissabores; tristes situações, envolvendo até amigos e familiares!
Acho que meus leitores têm boa memória, bem melhor que a minha e se lembram de minha crônica cujo tema era nome, modernidade e pessoas que não escutam. Coincidentemente… ou não, li essa mensagem do prof. Rubem Alves que repasso aqui para continuarmos esse polêmico assunto:
“_O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: _se eu fosse você… A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina!”. Nossos eleitos nos escutam? Nos representam de fato, como deveriam? Nunca me senti representada por nenhum deles!
Realmente, não adianta nem falar, nem escrever bonito, fluente e bem-soante. É preciso mais: caráter, sinceridade em tudo; caridade para com o próximo; lealdade para com nossos valores mais éticos e verdadeiros. Aqueles antigos, que jamais morrem, ou melhor, morrerão conosco….
Minha sábia mãe, Maria José, sempre dizia: _Todas as pessoas querem ser respeitadas, sejam elas crianças, adultos ou idosos; todas têm desejos, sonhos, direitos… então se conclui que o povo quer ser ouvido e ter seus direitos preservados. Será tão difícil conseguir isso?




