Retorno

Por Clineida Junqueira Jacomini
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“Retém a instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida!” Prov. 4-13.

Para a família Noronha!

Voltei ao Colégio Externato São João, dia 22 de novembro p.p., dia do músico (sintomático isso, não! Já que adoro música!), para falar, de novo, sobre meu gênero tão usado, anos a fio; crônicas. Dessa vez foi nas classes da professora Lucinda Almeida Noronha. Ela foi minha aluna no Centro Universitário UniFEOB e nossas famílias são amigas de longa data! Tão longa que sua avó, Lucinda também, foi professora, ótima e idealista professora, aqui na fazenda Santa Maria, onde moro há mais de 75 anos. Seu filho Ninho Noronha sempre que me encontrava contava sobre sua mãe vindo para cá. Agora preciso descobrir quando ela lecionou por aqui. Difícil! Arquivo muito antigo e mais que morto! Bem, mas a Lucinda atual é talentosa como todos os de sua família e escreveu o que colo abaixo e realmente, ‘noses’ somos cronistas! Coisa fortuita? Afinidade? Talento? Acaso? (e acaso existe?) Sei lá. Julguem vocês, leitores!

“Acordei cedíssimo. Preocupada com o horário, chamando o filho mais novo pra se apressar pra aula, tomando café correndo com a arrumação do material e pensando no roteiro de aulas que se seguiriam pela manhã.

Peguei o celular. Abri o WhatsApp para confirmar uma visita ilustre para minhas aulas de hoje sobre o gênero crônica. Levei um susto! Achei que havia confirmado o pedido do convite, mas vi que a mensagem ficou por ser enviada- e não foi. Imediatamente me desculpei com ela.

‘Perdão, Dona Clineida! Achei que tivesse respondido à mensagem de confirmação! Mas tá tudo certo pra hoje, né?’

Ela, atenciosa e gentil como sempre, respondeu: _’Não peça perdão por isso! Estarei lá!’

E ela esteve. Com sua presença alegre, disposta, didática e humana. Enquanto falava do tempo, da vida, de textos e de gêneros para a turma, viajei em ideias sobre o quanto esse mesmo tempo, químico inexorável, é capaz de provocar distâncias e reencontros com a mesma intensidade.

Foi lá, naquele mesmo momento, ao ouvi-la prosear com os alunos, que fui capaz de buscar anos de minha juventude, na faculdade, ouvindo-a contar suas histórias, entrelaçadas ao conteúdo didático, com o mesmo semblante, com a mesma naturalidade de quem narra a vida e ensina ao mesmo tempo. Tempo… tempo… tudo ao mesmo tempo, e sempre!!

Eu cometi o lapso de achar que havia retornado a mensagem no WhatsApp sem realmente enviá-la. O bom de tudo é que ainda tive TEMPO de salvar meu reencontro com minha querida Clineida, professora que hoje tive a honra de apresentar às minhas turmas para ‘cronicar’ conosco tão deliciosamente.

Olha! E não é que, enfim, isso tudo rendeu uma croniqueta?

Grata por sua presença em meu dia de tempo corrido, mas marcante demais para nunca se esvair da memória. Você é atemporal, Clineida Junqueira!”

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