Assunto

CLINEIDA JUNQUEIRA JACOMINI
[email protected]

Para os novos, velhos e os não tanto!

Falo muito em mudanças e tanto que meu PC não pode nem ouvir (se é que ouve!) falar nesse verbete. O certo é que tudo muda incessantemente; para melhor? Nem sempre! Pois não é que até os xingamentos mudaram? Sou tão medianamente velha que conheci os antigos e tenho contato com os novos, nem sempre, confesso, entendendo bem seu sentido! Vou digitar alguns, dos antigos: Mequetrefe; energúmeno, tribufu, paspalho, tchonga, bocomoco, estrupício… Agora duvido que alguém de nossa região sudeste conheça esses: caramba, abigobal, pangão, bocoio, paroba, xibungo, rolha de poço, sibito…

Uma informação: o tal boko-moko tido como xingamento a uma época passada era a aglutinação das palavras bocó e mocorongo, que foi muito utilizada nos anos 70/80 para definir o cara “lento”. Hoje é conhecido por “faísca-atrasada”, “lesado”, “roda-presa” ou o popular “mané”. Foi lançada durante uma campanha para um guaraná e feita por um comediante Teobaldo, conhecido de “A praça é nossa”. E mané, nome digno de minha família, foi usado, pejorativamente até por um ministro!

Voltando ao mocomoco: temia-se, no comercial do Guaraná Antárctica, o melhor desde sempre, um bicho que atacava as pessoas. E essa tradicional, gostosa e tão brasileira bebida afastava o tarr. Agora novas marcas surgiram; o bichinho sumiu e o xingamento é coisa do passado.

Quando era criança e sempre gostando e assistindo a muitos filmes, obviamente hollywoodianos, achava o máximo os xingamentos de gente rica: cretino; canalha; idiota… e nós da classe média tupiniquim não usávamos esses termos! Era só: bisca; coisa ruim; ordinário… Mais tarde, estudando psicologia é que vim a saber que se tratavam de denominações da classificação da idade mental, as mais baixas.

E ainda voltando à minha juventude, o termo muito usado por todos nós era ‘tétrico’. Para tudo! Um moço bonito? Era tétrico! Um sapato da moda? Era tétrico; uma roupa fashion? Era tétrico; um filme horrendo? Era tétrico; aliás o único substantivo que mereceria tal adjetivo. Tempos depois, olhando o dicionário, ou ‘pai dos burros’ do Aurélio vi isso: “tétrico: muito triste; fúnebre; medonho; rígido; severo”. Pior que isso só o verbete que vinha a seguir: “tetro: negro; escuro; feio; sombrio; horrível”; com o superlativo: telérrimo ou tetérrimo (não consegui enxergar nem com meus queridos oclinhos para perto!). Caso fosse hoje, o próprio Aurélio seria cassado por usar o ter “negro”! Nessa nossa época de tanto mi mi mi, não se pode usar esse adjetivo nem pra nada! Camilo Cristóforo, vereador em São Paulo acabou de ser cassado por crime de racismo usando ‘preto’ como xingamento negativo e não como cor que retém o calor, aliás, insuportável que estamos vivendo!

Por todas essas considerações entenderam o nome dessa crônica? Haja assunto para elas todas as semanas!!!

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here