CLINEIDA JUNQUEIRA JACOMINI
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Para minha querida confreira Bia.
Nossa vida se apresenta sempre, no mínimo, sob dois aspectos. Lua e sol, dia e noite, sol e chuva, alegria e tristeza, riso e choro, nascimento e morte etc etc. Isso é o básico, porém há muitos outros aspectos. Todos nós somos plurais, polivalentes, complexos e variados. Pensei nisso quando vi gente no Facebook se comprazendo com a morte de um homem que não era lá essas coisas de admirável, mas daí a ter prazer na sua morte é uma coisa abominável, desumana. E quando vejo o cachorro de meu filho (entenderam que não me refiro a ele, filho e sim ao seu cão, ne?) feliz, acompanhando-o, pegando suas roupas do varal quando ele viaja, não desgrudando dele… sinto que sou injusta ao comparar os seres humanos a eles, animais fieis em seu amor e companhia. E como dizia sempre minha sábia e amada mãe, Maria José: ninguém é bom, nem mau para todo mundo. Para alguém essa pessoa fez a diferença e foi bom; e o mais santo dos homens, algum dia teve algum deslize: não foi tão cristão assim como deveria. Respeito a todos, é o que melhor fazemos ou deveríamos.
Todos conhecem aquela figura ilustrativa sobre opiniões diferentes. Conheço 3 delas e as transcrevo: Um menino era prá lá de otimista; ao contrário de seu irmão, azedo e de mal com a vida. No Natal, seus pais resolveram testar essa visão diferente que os filhos tinham da vida e do mundo. Para um, deram uma reluzente bicicleta e para o outro, um monte de estrume, embrulhados e deixados em baixo da árvore colorida e natalina. Perguntado o que havia ganhado, o da bicicleta disse, resmungando> uma bicicleta, mas queria de outra marca, tamanho e cor. Para o do estrume, receberam essa resposta, animada:_ Ganhei um cavalo. Vocês viram ele por aí?
Em outra ilustração preciosa, um copo foi enchido pela metade. Para o pessimista, perguntaram sobre a quantidade de água:_ Ele está quase vazio. Para o otimista, o mesmo copo pela metade com agua foi reconhecido como quase cheio.
Dias atrás num sermão do pastor Ronaldo C. Ramos sobre ‘foco’ conheci mais essa história (recuso-me a escrever essa palavra sem o lindo h, resquícios de um anglicismo: story). Um fabricante de calçados querendo expandir sua indústria contratou 2 agentes que saíram a campo, numa mesma região para incrementar as novas vendas. De onde estavam, depois de sondagens no novo lugar, a firma recebeu de um deles: _Nada feito. Não aconselho o empreendimento, pois na aldeia que visitei ninguém usa sapatos. Depois de algum tempo, chegou a resposta do outro vendedor: _Tudo certo. Animado com as possíveis vendas. Providenciem grandes estoques. Na aldeia que visitei ninguém usa sapatos…ainda! Essas são as visões diferenciadas das pessoas. Um mesmo fato, atividade e vida ensejam a visões, tomadas de atitudes e mudanças significativas!
Estamos num ano de eleições, fato importante para todos nós. Uns se ligam mais; outros menos. Para uns há sérios interesses num pleito e com as pessoas que comandarão nossos destinos no futuro. Para outros, nem tanto. Exemplifico: na dita Revolução de 64 eu era uma moçoila de 19 anos, recém-formada no Magistério, já namorando meu querido Bi, meu marido 2 anos depois, já trabalhando numa escola rural, morando na fazenda e o movimento no Exército pouco ou nada me afetou. Como falar sobre ele anos depois se minha vida era tranquila e correu como deveria? Já para outras pessoas, que sofreram na pele, tudo foi diferente. No livro Pássaros feridos, best seller com filme análogo e lindo havia uma página que me ficou prá sempre na memória. Referindo-se a um homem bêbado, ocioso e rude, uma pessoa bondosa e lógica dizia: _Como compará-lo a outros se não tiveram o mesmo passado! As mesmas oportunidades! O mesmo ambiente! E é isso mesmo. Não se comparam pessoas, pois suas histórias, (com h), são tão díspares e, compará-las, seria impiedoso, injusto e incabível mesmo!




