CLINEIDA JUNQUEIRA JACOMINI
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Para minha confreira Dra. Luiza Nagib Eluf, pelo seu livro “A paixão no banco dos réus”.
Nome de filme, um romance shakespeariano moderno, feito em 1961 e refilmado60 anos depois, que se passa num gueto porto-riquenho de Nova York. O amor cantado, decantado, sofrido, sublimado, divinizado… estará sempre em pauta. Sou assumidamente cinéfila, assisto a bons filmes, me deixo levar por bons atores e atrizes e aprendo muito com essa empolgante sétima arte moderna nunca ultrapassada pelos modernos instrumentos de comunicação. Um desses filmes que já assisti várias vezes: porque gostei e porque não me lembro direito de nada; (talvez do final e olhe lá que nem isso!) “P.S. eu te amo!”. Epistolar que sempre fui, escrevendo e recebendo cartas lindas, ora caídas no esquecimento porquanto o WhatsApp, o celular e outros meios de comunicação entre as pessoas ganharam expressão e espaço nesse nosso tempo, o filme conta a história de uma jovem viúva, depressiva de cheirar mal, sem banho; de não querer nada, sair, comer etc etc. Forçada a voltar ao trabalho de corretora de imóveis para sobreviver ela é logo demitida do serviço por responder e ‘peitar’ uma esposa que mandava no marido, não respeitando suas opiniões e vontades, humilhando-o perto de todos. Ela não se conformava com essa atitude desumana daquela esposa, mesmo que o marido fosse um molenga. A mulher tinha um esposo e ela sem o seu! Isso era injusto demais!Vai daí que a viúva passa a receber cartas de seu finado marido que terminavam com esse lembrete dos esquecidos: P.S. e reafirmava o seu eterno amor pela esposa. O filme é cheio de flash backs mostrando a realidade vivida pelo casal e nas cartas isso é bem mostrado. Aos poucos, a viúva vai se acostumando com as cartas (em papel mesmo) e começa a readquirir vida… e vida nova. Não vou dar uma de spoiler e contar o final, até que feliz. O filme me levou de volta ao passado. Quando fiquei viúva, em 2007, até que bem resolvida, sem parar de fazer o que fazia, ainda que sentindo uma imensa falta de meu amado marido, especial que ele sempre foi, ficava revoltada com casais que não se entendiam, que brigavam, um falando mal do outro; que se separavam… _Commarido vivo, tem que respeitar, valorizar, dizia para minha filha muito racional, mais ainda que eu: _Eu não me conformo! (expressão muito minha!). Têm um amor ao lado e se separam! Separação só com a rude morte! E ela respondia: _Mãe! O amor acabou! As coisas mudam! E eu pensando como Paulo em I Coríntios 13-8: “O amor jamais acaba!…”
Incoerente que sou (como a vida, quase sempre!), por outro lado fico temerosa pelo rumo que as coisas andam com casais que conheço. Quando sabemos de crimes por ciúmes, passionais, maridos matando esposas; namorados matando as ‘amadas’, fico pensando quando ouço repórteres perguntando como era a vida do casal: _Eles viviam bem até que ela resolveu acabar com o relacionamento! E outras respostas: _Ele era bruto, esquentado e não admitia a separação. Duas coisas se ressaltam nesses casos: havia indícios de perigo; e quase sempre os casos se dão com homens jovens, de uma geração que não aceita, nem admite ‘nãos’ em suas vidas. A educação moderna permissiva faz com que ninguém aceite contrariedades. Sou de 45 e sempre ouvi negativas frente às minhas vontades: queria ser morena; sempre fui branquela; queria ser magra e sempre fui cheinha; queria namorar um moço, mas ele não me queria; precisava de um pouco mais de dinheiro; nunca tinha… e assim por diante, lições duras, mas que preparavam a minha geração para os desenganos e tristezas; negativas que ensinam a enfrentar a vida real. Será que essas namoradas, noivas, esposas, mães, companheiras… não pressentiram o perigo? Com certeza, sim, mas cada uma e todas! Contemporizaram: _Ele muda; o amor faz coisas; ele não é violento… não a ponto de matar e isso não aconteceu: ele não mudou; o amor não construiu e ele matou um dia! Triste isso!




