De volta aos palcos

E pouco a pouco, camarins e coxias vão sendo novamente preenchidos, seja por jovens aspirantes à nobre arte do teatro, seja pelos velhos conhecidos atores da área – amadores ou profissionais. Porém, mais importante ainda é o outro lado; o que seria de nós, artistas, sem o público para prestigiar, aplaudir, se emocionar?

Com máscaras e comprovantes de vacinação, o “novo normal” fica cada vez mais distante, dá espaço à vida como conhecíamos antes da pandemia e propicia a retomada das atividades culturais em teatros, auditórios, praças, escolas… Se você também estava com saudade, pode dizer mentalmente: “evoé”.

Dos grupos que faço parte, no mínimo cinco espetáculos acontecerão ainda em 2021. “A Primeira Dama” já está em cartaz, sua estreia emocionante colocou várias pessoas de volta ao palco depois de mais de um ano (algumas, inclusive, pela primeira vez). Logo teremos também “O Conto dos Três Irmãos”, peça baseada na obra de J. K. Rowling, para o festival no final de novembro, e outros três projetos a serem revelados. Só adianto que além de teatro, haverá muita música boa.

Os grupos são amadores, ou seja, seus membros fazem o que amam. Claro, também é possível amar sua atividade enquanto profissional, mas integrar tais equipes faz a gente se desenvolver do jeito difícil. É matar um leão por ensaio, ser professor, contrarregra, iluminador, sonoplasta, roteirista, diretor e… Bem, até dá para atuar um pouquinho, às vezes! Aliás, ajude a valorizar esses grupos de São João, muitos municípios vizinhos gostariam de contar com tamanha diversidade.

Mas e você? Já pisou num palco, encarou as luzes da ribalta e centenas de rostos ansiosos na plateia? Se sim, meus parabéns! Sei que não é fácil. Se não, aconselho não adiar uma experiência tão significativa! Muito além de vencer o medo de falar em público, o teatro é o apogeu do trabalho em equipe. É torcer pelos parceiros, formar laços eternos de amizade e companheirismo e desenvolver múltiplas habilidades.

O trabalho é de formiguinha, um processo gostoso de vivenciar. Mas o melhor é o resultado. Cada segundo da apresentação é uma delícia. E os aplausos… Ah, os aplausos! É isso que nos faz chegar mais cedo a cada reunião, fazer exercícios de voz, improviso, marcações, falas, expressão corporal, criação de personagem… Enfim, melhorar a cada dia – como pessoas, amigos, profissionais e artistas. Se a vida é uma peça que não permite ensaios, para todas as outras ensaiamos o máximo possível!

Matheus Lianda é jornalista formado em faculdade e ator formado pela vida.

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