Cada vez mais, boa parte de nós, em algum momento, procuramos viver em harmonia com a natureza. Mesmo os “urbanóides” procuram parques e áreas verdes na hora do brak, é nato isso. Por mais que na sua pele não nasçam mais tantos pelos como nos antepassados e, mesmo que você tenha nascido em um hospital e não em uma moita de capim, nossa ligação com a natureza é irrefutável. Claro que isso não passa desapercebido pelo “mercado imobiliário” que nos introduz de uma forma adequada aos nossos padrões de civilização.
A biofilia [amor à vida] arquiteta tudo de forma a nos integrar de onde viemos e nosso contato direto com nosso real habitat. Nos preparamos, em sonho ou em realidade, para morar numa casa na montanha, perto do mar ou mesmo em uma cidade socioambiental correta, onde possamos tomar sol na praça sem ser assaltado, tudo se ligando na paz que o amor à vida natural nos traz. E esse “tal” mercado nos possibilita realizar esses sonhos construindo condomínios perto de natureza, prédios com áreas verdes, ruas com arborizações, praças que até mesmo pessoas de baixa renda ou necessitados podem desfrutar deste bem em comum.
A biofilia, sem dúvida, é o caminho para se ter mais saúde e prosperidade. É no campo que se produz, é na floresta que se tem a biodiversidade, é na água que temos a esperança, é no caminho da biofilia que encontramos sentido à vida e o sentido da nossa caminhada “humanóide” em busca de algo mais ponderado, sensato e ecologicamente correto.
No meio desse caminho encontramos muitas outras espécies, tanto vegetais, como animais. A árvore majestosa que vejo da janela me encanta… ora florida, ora desfolhada e isso me dá o time da vida. Já os animais passam a frequentar o espaço urbano num efeito de sinantropia, independente da vontade do homem, estabelecendo uma nova dinâmica de fauna.
A fauna estabelece essa nova dinâmica de uma forma natural, sem que precisemos atrair com alimentos, fornecer subsistência ou mesmo tratar de forma sistêmica, apenas estão mostrando que estão ali presentes em nossas vidas, que são sim, outras espécies, que tem famílias, primos, pais, mães, laços familiares, sentimentos e até paixões… é a forma da vida mais diversa e nítida saltando aos nossos olhos. Não são constituídos de megapixels, são animais de verdade e chegaram até ali sem a nossa ajuda, às vezes, muito pelo contrário, tendemos a atrapalhar quando não compreendemos essa dinâmica, achando que passam fome, sede, frio, dor como nós, medimos isso pela nossa régua e distorcemos a realidade ecológica de cada espécie.
A compaixão é nata do homem, por isso nos inclinamos a ajudar e acabamos interferindo nos fatos sem buscar entendimento nas instituições de direito detentoras de estudos e cartilhas de como proceder na nossa relação com a fauna. É sim importante mostrarmos nas redes sociais o quanto amamos os animais, isso também cria conscientização mas, o mais importante que mostrar, é saber o que fazer com essa nova dinâmica de fauna que se instala em nossas vidas. Talvez, os animais estejam aí para nos ensinar algo e não que precisem de ajuda.

Plínio Bruno Aiub é médico veterinário especializado em animais selvagens e professor universitário

