Desde março de 2020 a Educação Básica se arranjou pelos meios tecnológicos e, de alguma forma se fez presente na vida cotidiana das famílias que, com os mais variados recursos (e acesso a esses recursos), também se adequaram às tais novas práticas pedagógicas.
Nunca se tratou, no entanto, de padronizar métodos e didáticas pois se há uma coisa que a Educação deve respeitar é a relação entre tempo e momento do ensino e, neste aspecto, a singularidade de cada estudante faz com que uma sala com trinta e poucos deles se torne um sistema de ensino com dezenas de situações de aprendizagens distintas com variações metodológicas para que se atinja os objetivos das várias etapas e campos do ensino.
Respeitar o tempos, espaços e momentos dos estudantes é uma atitude pedagógica que eleva o educador ao seu patamar maior relevância: o humanístico e a principal função daquele que vive sob este mantra é saber incluir.
A inclusão acontece das mais diferentes formas, seja a inclusão social na compreensão das condições distintas que acometem o ambiente extraclasse, a inclusão ideológica que se dá quando compreendemos diferentes pontos de vistas e opiniões, a inclusão didática, ao distinguir e respeitar as variadas práticas pedagógicas e a inclusão física onde talvez fica mais explícita a necessidade de saber transitar entre os variados espaços e tempos do aprendizado.
O ensino não presencial sugere, muitas vezes, uma Educação igualitária onde todos têm as mesmas condições físicas, econômicas e até intelectuais, mas, a vida, que por sua vez é presencial, nos mostra que as relações escolares devem ser equitativas e quase que personalizadas contemplando o estudante onde ele está e não onde desejamos que ele estivesse e, infelizmente, o quase ano e meio pandêmico trouxe, sim, bastante empoderamento tecnológico mas acentuou variadas disparidades que precisarão de um novo educador forjado pela inclusão.
O novo mundo vai se encantar com educadores que trazem essa insígnia brilhante e que, por ela, aprendem diariamente novas formas de construir o aprendizado e, ao perceber a realização das meninas da Pedagogia ao se depararem com as aulas presenciais de LIBRAS passamos a perceber que a inclusão já transcende os aspectos legais, ela já se encarnou no tal novo normal.

Marcus Alvarenga é mestre em Educação e membro do Psiem-Gepemai (Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Matemática em anos iniciais – FE/Unicamp) e coordenador do curso de Pedagogia do UniFAE.

