O pacto coletivo e o retorno das viagens

Após um longo – e desgastante – período de reclusão, a confiança e o desejo de viajar começam a crescer dentro de nós. O mundo, visto da janela de casa, já é menos hostil, mas ainda estranho. Como turistas vacinados, vamos experimentar uma relação inédita com os protocolos sanitários. Se por um lado, a vacina reduziu as mortes e as internações por Covid-19, a presença do vírus ainda é muito forte – e pode gerar mutações perigosas e levar a retrocessos.

O contexto é de pandemia, mas a ciência tem nos ajudado a superar o momento duro de confi-namento. A gente já se arrisca a um passeio ao ar livre e sonha com a viagem de fim de ano, momento em que o turismo no país deve experimentar a maior movimentação de toda a histó-ria. Vai dar praia, vamos ter natal em família, reunião com os amigos, mas teremos de nos acos-tumar aos testes do cotonete e ao furinho na ponta do dedo. Mas não vamos, definitivamente, estar livres da máscara nem do álcool gel tão cedo.

Nesse contexto de avanço sustentável, ancorado nos protocolos e no aprendizado de mais de 15 meses – o país deve experimentar uma explosão de reservas no segundo semestre. Há uma poupança de quarentena estimada em mais de R$ 20 bilhões apenas em São Paulo, na iminência de desaguar em viagens por todo o país, estimulando, inclusive, o turismo no próprio estado, segundo estudo a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.

Uma sociedade doente não viaja, porque carrega o vírus na bagagem. Mais saúde, mais viagens, simples assim – e a defesa da vida e da vacina, é bom que se diga, são méritos do Governo de São Paulo e do governador João Doria. No ranking de desejos da população, viajar está lá no to-po, de modo que, embarcar para um novo destino, hoje, tem mais valor do que trocar de carro ou renovar o guarda-roupa. No imaginário coletivo, resgatar as perdas dolorosas da quarentena, como uma singela caminhada na praia, ganhou o status de presente do ano.

Chegamos ao ponto de inflexão: como construir este novo mundo sem retroceder? Precisamos de um pacto coletivo, não há outra saída, é necessário fecharmos um acordo enquanto socieda-de para recuperar o nosso direito de viajar. Cidadão não vacinado, que não testa e não cumpre as regras de distanciamento, expõe toda a sociedade ao risco.

Em outras palavras, não há qualquer justificativa ética ou linha filosófica que dê ganho de causa à liberdade individual se, na outra ponta, está o interesse coletivo. Tomar a vacina não é uma obri-gação do cidadão, como sabemos; na verdade, é mais do que isso, é um compromisso com a sociedade. Não podemos nos esquecer: lidamos com o risco de novas variantes, ainda mais con-tagiosas, que fizeram recuar até os países mais avançados na imunização.

A exemplo do passaporte de vacinação europeu, exigido dos cidadãos que circulam pelos países do bloco, resgatar o direito à mobilidade pressupõe uma rotina cansativa, mas necessária, de testes e vacina atualizada. Se você quer viajar nas férias, faça a sua parte e convença os que você conhece a fazerem o mesmo. Não há nada que nos impeça de avançar e acumular, pouco a pou-co, novas conquistas. Só nos mesmos. Cuide-se e boa viagem.

Vinicius Lummertz, secretário de Turismo e Viagens do Governo do Estado de São Paulo

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