Desde que cheguei ao jornal O MUNICIPIO, já se foram mais de 17 anos. Mas, ao parar para pensar em tudo que pude aprender e conviver com o dr. Joaquim, a impressão que tenho é que foram séculos.
“Diretor do jornal, temido, bravo, sério…” esses foram alguns dos pensamentos que tive de início; “virão muitas cobranças…” mero engano. Uma pessoa que, com o tempo, descobri ser paciente, generoso, educado e até muito engraçado.
Convivi com o dr. Joaquim por mais tempo que tive com meu pai, que faleceu aos 42 anos – me casei e saí de casa aos 16, quatro anos antes de seu falecimento. Uma convivência que, por muitas vezes, o sentimento que ficava era mesmo a de que tinha ali, com o dr. Joaquim, um pai.
Ele não era apenas um patrão. Observava seus colaboradores atentamente, percebia quando algo não estava bem com alguns de nós e, o temido chamado para conversar em sua sala, muitas vezes era um momento onde encontrávamos um amigo verdadeiro, onde as suas questões eram com o nosso bem-estar, querendo, de alguma forma, nos ajudar com sua sabedoria, com palavras de conforto e alento.
Por diversas vezes me surpreendi com seus atos, coisas que realmente não esperava de alguém com seu status. Mas conviver com o dr. Joaquim era assim, sempre descobrindo o quanto ele era especial.
Uma das coisas que mais me surpreendi, entre várias outras em que ele pode demonstrar o quanto era generoso como enviar um bilhete – que guardo com carinho, escrito – vale uma consulta e um par de óculos, foi quando perdi minha mãe e estava em seu velório, em Poços de Caldas, quando chega, junto com funcionários do jornal, o próprio dr. Joaquim, já mais velhinho e dizendo que não poderia deixar de estar com um amigo em um momento tão difícil. Este era o amigo Joaquim, o amigo verdadeiro.
Quando ele partiu, pensei que seria normal sentir sua partida, por ter convivido tanto tempo com ele, mas não imaginava que a dor de sua perda, poderia ser a mesma de ter perdido um pai…
Tenho certeza que está bem… “você”, meu amigo, merece!

Juliano Souza é diagramador

