Um clássico histórico

Palmeiras e Santos, os dois maiores campeões brasileiros, fazem a final inédita entre clubes paulistas na Libertadores, dia 30, no Maracanã. A histórica rivalidade entre ambos praticamente começou no final dos anos 1950, perdurando por toda a década seguinte, quando um garoto chamado Pelé surgiu na Vila Belmiro e o Verdão primava em montar times de excelente nível técnico.

Um dos jogos marcantes naquele período aconteceu no Pacaembu, dia 06 de março de 1958, pela 3ª rodada do Torneio Rio-São Paulo, três meses antes de o Brasil conquistar seu primeiro Mundial, na Suécia. Era o prenúncio do que prometiam ser os próximos anos entre os rivais. Perto de 45 mil espectadores apreciaram um memorável 7 a 6 para os santistas. O Palmeiras saiu na frente com Urias, Pelé empatou, Pagão virou o jogo e Nardo fez 2 a 2. Em seguida, três gols do Santos – Dorval, Pepe e Pagão – estabeleceram os 5 a 2 da etapa inicial.

Na volta do intervalo o Palestra virou a partida com Paulinho, Mazzola (duas vezes) e Urias, cravando um 6 a 5 que parecia sacramentar a reação impossível. Porém, o ponta Pepe foi protagonista de nova reviravolta, marcando dois gols nos últimos minutos e dando números finais ao maior espetáculo de futebol já visto no palco da municipalidade paulistana.

E foi o Palmeiras que interrompeu a sequência de 12 títulos paulistas consecutivos do Santos, entre 1958 e 1969, vencendo as edições de 59 (um Super Campeonato diante do rival), 63 e 66. Ainda naquele período mágico do nosso futebol – em que o Brasil venceu a Copa do Mundo por duas vezes e o Peixe chegaria ao bi da Libertadores e bi mundial de clubes – que o Rei Pelé em nove oportunidades liderou a artilharia do Campeonato Paulista (entre 1957 e 1965), alcançando a marca nunca igualada de 58 gols em 1958.

O Palmeiras, por sua vez, em 1965, com a inesquecível “Academia” comandada por Ademir da Guia, teve todo seu elenco, titulares e reservas, convocados pela então CBD (Confederação Brasileira de Desportos) para vestir o manto sagrado da Seleção Brasileira na inauguração do Estádio Magalhães Pinto (o Mineirão), quando na ocasião bateu o Uruguai por 3 a 0.

Duas tradicionais camisas vão se encontrar no gramado do Maracanã, dia 30 próximo. Que seja um espetáculo digno dos bons tempos!

Leivinha Oliveira
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