Poderia falar nesse texto sobre o título incontestável do Liverpool na Premier League, da 8ª vez consecutiva que o Bayern de Munique levanta a taça do Campeonato Alemão ou da briga entre Real Madrid e Barcelona pelo caneco do Espanhol. Mas o assunto novamente é o Campeonato Carioca.
Insisto em falar nisso porque me revolta as estúpidas decisões de dirigentes e autoridades que estão deixando o problema com o novo coronavírus de lado quando se fala no futebol. A notícia da vez é que a partir deste mês, torcedores retornam aos estádios, em pleno momento em que os casos de Covid-19 continuam aumentando no País.
O Campeonato Carioca havia retornado sem público. Uma decisão equivocada, mas não pior do que a de agora com a volta dos torcedores. O Rio de Janeiro é o único local do Brasil com permissão de público – no caso, um terço da capacidade do estádio a partir de 10 de julho. Uma reportagem do GloboEsporte.com mostrou que apenas seis países, entre os 50 melhores ranqueados pela Fifa, permitiram acesso de público.
O texto do decreto da Prefeitura permite: competições esportivas com capacidade simultânea máxima de um terço, sem ultrapassar a regra de 4 m² por pessoa; e venda de ingressos somente online ou caixas de auto-atendimento.
Os grandes do Rio divergem no retorno do futebol. Botafogo e Fluminense são contra. Já Flamengo e Vasco, a favor.
As autoridades do Rio de Janeiro poderiam seguir o exemplo de Minas Gerias. No Estado vizinho, a Secretaria de Saúde divulgou um comunicado vetando a retomada do Módulo 1 do Campeonato Mineiro, tendo como base o atual cenário da pandemia, o que contraria o desejo inicial da Federação Mineira de Futebol (FMF). A decisão ocorre após o Centro de Operações de Emergência em Saúde de Minas Gerais analisar um protocolo apresentado pela FMF. Para a Secretária, neste momento, não é seguro o retorno do futebol.
As autoridades do Rio de Janeiro poderiam intervir e bater de frente com a federação de futebol do Estado para suspender o Campeonato Carioca. Não é hora de nenhuma loucura e de por vidas em risco. É isso que acontece. Futebol não é essencial neste momento.

Weslen Máximo

