Comércio, serviços e turismo no combate ao coronavírus

O Brasil e o mundo estão mobilizados para controlar a pandemia do novo coronavírus, sem dúvida o maior desafio a ser enfrentado, em escala mundial, desde a Segunda Guerra. As consequências dessa grave crise para o Brasil e o mundo não podem ser dimensionadas em plena escalada dos acontecimentos, mas está claro que já vivenciamos uma turbulência humanitária e econômica de gigantescas dimensões.

Nós, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC, estamos trabalhando de forma incansável para que as empresas, os trabalhadores e a população possam superar este difícil momento. Estamos difundindo, por todos os nossos canais, os cuidados necessários para prevenção e combate ao coronavírus, por parte de colaboradores e das empresas do comércio, sempre em consonância com as autoridades do setor de saúde.

Estamos dando o exemplo do trabalho remoto para os nossos profissionais, mantendo um esquema de funcionamento que inclui o monitoramento contínuo da saúde dos colaboradores, para uma possível antecipação das ações necessárias.

No plano econômico, um desafio que para nós é tão grande quanto o combate à epidemia, a CNC apresentou propostas concretas ao governo federal, de forma a reduzir os impactos do necessário isolamento social, preservando o quanto possível empresas e postos de trabalho.

Enviamos à Presidência da República, ao Ministério da Economia e ao Congresso Nacional  medidas de natureza tributária, trabalhista, financeira e administrativa que, uma vez adotadas, ajudarão os empresários do setor terciário, especialmente os de setores mais atingidos, como o de serviços, turismo e as micro e pequenas empresas, a manter vivos os seus negócios e os empregos que geram.

Estamos trabalhando com nosso grupo de inovação para desenvolver soluções para apoiar os empresários no processo de retomada econômica pós-crise, com ferramentas modernas e acessíveis.

Além dos empresários, também os trabalhadores e a população estão no nosso radar. O Sesc e o Senac estão mobilizados, desenvolvendo ações para conscientização, combate ao coronavírus e prestação de serviços à sociedade. O valor dessas ações somará R$ 1 bilhão, que corresponde a 50% da contribuição compulsória das duas instituições em três meses, equivalente ao corte nos recursos do Sistema S proposto pelo governo, que entendemos ser inócuo em termos de benefícios para as empresas.

Caso a decisão do corte de 90 dias persista, o Sesc e o Senac terão que fechar mais de 260 unidades, muitas delas em locais onde há carência de recursos públicos. Nossa estimativa é que mais de 10 mil postos de trabalho serão perdidos, com a interrupção de quase 40 milhões de atendimentos.

O momento exige o máximo de coordenação entre os diversos atores envolvidos, governos em todos os níveis, parlamentares, autoridades de saúde, empresários. Os setores produtivos, as entidades que os representam, também precisam ser ouvidos na busca das melhores soluções. Precisamos de união e não de decisões unilaterais, que somente dividem, sem contribuir para a redução dos impactos dessa grande crise.

Estamos acompanhando a evolução deste cenário e as recomendações das autoridades competentes em relação às medidas de distanciamento social e a forma mais adequada de volta à normalidade, para que possamos orientar da melhor forma os empresários do setor terciário.

O equilíbrio entre a gradual normalização na circulação das pessoas, o necessário apoio para a subsistência de pessoas e empresas e a prioritária proteção da população determinará o nível de sucesso do Brasil em superar esta crise sem precedentes. E nós, da CNC, estamos confiantes nessa superação.

José Roberto Tadros é presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

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