O livro “Palmeiras x Corinthians, 1945: o jogo vermelho” (Editora Unesp), de autoria do ex-Ministro dos Esportes – Aldo Rebelo, retrata o conturbado cenário político da época e seus reflexos na vida esportiva. A obra cita Leonardo Fernando Lotufo, vice-presidente palestrino e um dos organizadores do clássico acima, realizado em benefício dos trabalhadores.
Nascido em São João da Boa Vista no ano de 1868, filho de imigrantes italianos, Lotufo faleceu aos 85 anos (1953), está sepultado no cemitério local e dá nome a uma rua no Solário da Mantiqueira por determinação do prefeito em exercício de 1981, João Tarifa Lorencini, através do Decreto nº.: 405.
Empresário de sucesso na capital – proprietário da Neon Brasil Luminosos -, como quase a totalidade dos `oriundi´ no inicio do século 20, Fernando tinha no sangue a paixão pelo Palestra Itália. Guindado a vice-presidente em 1940, participou ativamente de uma das mais importantes decisões tomadas nos 105 anos do clube: a mudança de nome por pressão do governo Vargas, reflexo da 2ª Guerra Mundial, que colocou o Brasil contra os países do eixo Alemanha, Japão e Itália.
Fundado em 26 de agosto de 1914 por descendentes, devido à Guerra (1942) e ao decreto de Vargas, o Palestra teve seu nome alterado sob o risco de perder o patrimônio. Rezam antigos torcedores que o São Paulo, transcendendo a rivalidade italiana com o Corinthians, exercia todo tipo de pressão de olho no Parque Antarctica.
No dia 14 de setembro daquele ano, em reunião tensa presidida pelos vices Leonardo Lotufo, Mário Minervino e capitão Adalberto Mendes (na ausência do presidente Ítalo Adami), decidiu-se alterar o nome para Sociedade Esportiva Palmeiras, após sete meses, desde março, como Palestra de São Paulo.
Lotufo, voz ativa no clube, ainda participaria de outro momento histórico, seis dias depois. Em 20 de setembro, Palmeiras e São Paulo decidiram o título paulista, no Pacaembu. Com rumores de que a torcida tricolor armara uma estrepitosa vaia como recepção aos rivais, Lotufo e pares da diretoria surpreenderam. Na frente dos jogadores, abrindo caminho, um oficial do exército brasileiro – o capitão Adalberto Mendes – entrou no gramado carregando uma enorme bandeira do Brasil. O time acabou aplaudido de pé e ganhou o título com vitória por 3 a 1, fatos que geraram o histórico slogan “Palestra morre líder, Palmeiras nasce campeão!”.

Leivinha Oliveira

