Problema de alimentar animais

Após ver um vídeo que está circulando nas redes sociais sobre os macacos-prego do Parque Estadual de Águas da Prata, alertamos que vários são os problemas causados ao se oferecer alimentos a estes primatas, isso desde a oferta de alimento facilitada e errada até a mudança de comportamento da espécie.

Esses animais não estão passando fome e não precisam do nosso alimento. Eles precisam de mata: de insetos e outros invertebrados, dos ovos dos pássaros, de frutos, de brotos, de anuros, de larvas, enfim, precisam da natureza! Ao ofertar algo que não faz parte de sua dieta, isto poderá até mesmo prejudicar sua saúde. Existem estudos que mostram que a espécie pode apresentar pressão alta, diabetes, cáries, problemas renais, hepáticos e outros mais quando consome alimentos que não fazem parte de sua dieta natural.

Quando recebem alimentos de sua dieta, os macacos-prego eles são alimentados de forma facilitada e diversos comportamentos são alterados. Esta ‘facilidade’ aumenta a reprodução da espécie e as hierarquias do grupo são alteradas, resultando em agressões inter e intragrupais.

A organização do grupo é alterada, assim como sua saúde. Muitas pessoas acreditam que estão fazendo o bem aos animais, mas não estão. Portanto, não oferte alimento!
Uma das medidas possíveis para reintrodução dos macacos-prego para a mata – neste momento em que está decretado o isolamento devido ao Covid-19 – seria a oferta de frutas em um ponto afastado das áreas que estavam acostumados a receber alimentos.

Com isso, aos poucos, eles voltariam a se adaptar e a procurar o alimento sozinhos, como dever ser.

É importante incluir nesta ação as frutas presentes na mata onde habitam e, aos poucos, irem diminuindo a oferta nestes pontos.

Outra medida seria realizar a poda de galhos que dão acesso as barracas, lixeiras e descida ao solo. Além disso, seria importante retirar todo ponto de lixo e orientar a população que não alimente os animais, isso através de ações de Educação Ambiental. Cabe aos responsáveis pelo bosque iniciar estas ações, estudos e monitoramentos das medidas adotadas.

Finalizando, ressaltamos o risco de doenças que podem ser transmitidas de nós para eles, como a herpes, influenza, hepatites e outas doenças virais, além de bacterianas em geral. Cada espécie conta com um arsenal imunológico próprio, sucumbindo muitas vezes, facilmente, às moléstias que não lhe são familiares.

As doenças, por sua vez, contam com agentes com grande capacidade adaptativa, que podem sofrer mutações variadas. E, uma vez que as tenham sofrido alguma mutação, podem retornar a contaminar o homem com uma variante inovadora.

Devemos respeitar o espaço destes animais. Já os visitantes que visitam o bosque devem reconhecer que os macacos-prego são de vida livre e que a interação a se ter com eles deve ser apenas contemplativa.


Camila de Oliveira, bióloga e educadora ambiental da Trilha Educar
Herivelton Carlos Caldas Moreira, biólogo e educador ambiental Trilha Educar

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