Um dos maiores craques do futebol sanjoanense, Catita – Moacyr de Azevedo Nogueira -, nos deixou em 1992, aos 68 anos. Aqui nascido em 16 de abril de 1924, foi um dos 12 filhos do doutor Oscar de Andrade Nogueira e Ana Cândida de Oliveira Azevedo.
A exemplo do Dr. Oscar, jogador do Mackenzie College nos pioneiros Campeonatos Paulistas (1902 a 1906) como estudante de engenharia civil, Catita tinha estilo driblador e irreverente, que muitas vezes gerava brigas homéricas em que muitos se envolviam para tentar livrá-lo das enrascadas em que se metia atuando pela Esportiva, clube fundado e deixado como herança à cidade pelo pai.
Fora dos gramados, além de boêmio, era educado e polido, por onde passava impunha alegria, cercado das melhores amizades. Elegante no trajar, simpático, no ardor da juventude fazia pulsar os corações femininos. Além de craque da bola, também foi exímio enxadrista e tinha o dom de desenhar plantas de edifícios.
Os filhos de Oscar Andrade mostraram aptidão para o esporte. Catita, Maércio, Maurício e Byron, no futebol. Milton, Magali e Lígia, nos estaduais estudantis de basquete pelo Ginásio de São João. Beatriz e Margarida (Nenê), professoras de educação física, campeãs paulista e brasileira de basquetebol.
Voltando a Catita, em 1947 a SES foi convidada pela Federação para o pioneiro Estadual de Profissionais, com outras 14 equipes do interior. Num amistoso preparatório contra o São Paulo aqui em São João, dirigentes tricolores vieram com a intenção de analisar o futebol do zagueiro Mauro Ramos de Oliveira.
Mas, além da atuação de gala do futuro capitão da Seleção, presenciaram um show de Catita. Ambos foram parar na capital. No primeiro treino, dispersivo e apenas tocando a bola, foi questionado pelo treinador Vicente Feola: ‘Onde está o famoso Catita?’.
A cobrança mexeu com seus brios. Ao receber um passe, driblou, como que brincando de jogar, pela histórica linha-média tricolor – Rui, Bauer e Noronha -, entrando com bola e tudo no gol.
Ao tentar repetir o lance, foi atingido maldosamente por Noronha. Sob olhares perplexos, deixou o gramado sem falar com ninguém, para não mais voltar. O São Paulo insistiu em persuadi-lo, mas quem conhecia Catita jurava que ele nunca iria aceitar. Foi-se embora a oportunidade. Para ele, nem tanto!

Leivinha Oliveira
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