Tenho assistido a bons filmes desde que nasci!! Agora com a Netflix, a Sky e os DVDs, mais ainda, só que em detrimento da bela telona amada de tantos anos na juventude. Gosto de relembrar coisas e noticiá-las para que as novas gerações saibam, pelo menos em tese, como era o passado, muitas vezes nem mui-to remoto.
Quando jovem em São João havia pouca diversão, mas suficiente para que nós tivéssemos uma vida saudável e prazerosa. Dois cinemas ao longo de uma avenida: o Theatro e o Cine Avenida. Aos domingos matinês com desenhos animados, coisa bem infantil. Às tardes, vesperal com séries, bang-bang, bem inócuos. À noite, duas sessões, com os filmes se repetindo para que todos pu-dessem assisti-los.
Às vezes íamos à primeira sessão num e a segunda no outro cinema. Aí começava a semana. Novo filme na segunda, repetido na terça. Às quartas apresentavam filmes meio proibidos, meio noir… na quinta outros inéditos repetidos na sexta. Sábado também com novidades e no domingo todos já sabem.
Agora tenho aproveitado as séries devidamente legendadas, (por causa de minha surdez, nem mais insipiente e sim muito feroz); mas, com som na língua original para ir treinando meu inglês. E assim assisto ainda a uma série prá lá de latina, exagerada, até caricata: Emergências médicas, boliviana. Em termos de cinegrafia, um horror viu, meu querido David Ribeiro. Mas, como me taxo de sanguinolenta e científica, adoro filmes desse tipo. E de detetive e polícia!
Bem, num dos episódios, um homem chegou ao hospital todo luxado, com hematomas no rosto e pelo corpo. Perguntado, disse que tinha sido agredido, mas que isso era esperado. Explicou: é que era um sociólogo especializado em agres-sividade. O que ele fazia para ser atacado assim pelo mais calmo e educado dos interlocutores? Escolhia vários temas polêmicos: bigamia, adultério, homossexualidade, roubo, desfalque…. e fazia 3 perguntas ditas ofensivas. Por exemplo: Você já roubou algo? Onde escondeu? Quantas vezes você já roubou? Nas duas primeiras as pessoas conseguiam controlar sua raiva, mas a terceira era sempre a gota d’água que as tiravam do sério, com toda a certeza! E a agressão vinha certa!
Não sou socióloga, nem faço testes assim, mas constato, apreensiva, que todo mundo está com o pavio muito curto, um estopim prestes a estourar a qual-quer momento. Será que as redes sociais, (anti), são as responsáveis por isso? Será a crise de nossos dias? A solidão, crescente, mesmo com tablets e celulares nas mãos e na cabeça? A falta de perspectiva? A incerteza quanto ao futuro? A toda hora vejo postagens, mui polêmicas aliás, sobre o novo governo, frases do presidente, dos ministros, a maioria delas de cunho controverso e disparatadas. Aí não faltam dezenas de comentários, de um lado e de outro, defendendo e ata-cando quem disse e quem se sentiu ofendido.
Acho tudo isso muito desgastante, mas faz parte da vida moderna. Experimentos feitos com macaquinhos e outros animais mostraram, cientificamente que aqueles que passavam por conflitos, estressados com uma série de estímulos como agulhadas, luzes, choques ………. tinham seu desenvolvimento muito mais precoce e eficiente. Então, um pouco de estresse e conflito serve de mola propulsora para o avanço, a maturidade e não deixa de ser benéfico. E vamos em frente! Com luzes, bolas, presentes e alegria!

Clineida Junqueira Jacomini
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