Brasil Sobre Trilhos?

A primeira ferrovia instalada no Brasil foi por iniciativa privada, pelo empresário Irineu Evangelista de Souza, nosso Barão de Mauá, em 1854. Porém a implantação ferroviária se deu entre 1870 e 1920, pelo Reino Unido, mas foram cometidos alguns erros como bitolas estritas (largura entre os trilhos), reduzindo a velocidade dos trens, além de traçados sinuosos e curtos (nossa velocidade média é de somente 40km por hora).

As maiores malhas estão nos Estados Unidos, 293.564km de extensão, China 124.000 e Rússia com 87.157km. O Brasil tem incríveis 30.600km, dos quais 22.000km traçados por Dom Pedro II.

Mas como os Estados Unidos conseguiram chegar nesse nível de extensão? Vamos começar do começo.

Em 1860 tivemos uma Lei de Terras, se uma terra não tinha dono, ninguém poderia assumi-la, ela era do Estado. Nos Estados Unidos (EUA) havia uma livre apropriação de terras, com certas regras, mas bem mais livre, estimulando ocupação produtiva no interior, criando demanda por ferrovias. Os novos proprietários podiam simplesmente construir uma ferrovia, ocorrendo até um problema de excesso de ferrovias. Investidores passaram a comprar terras para construir ferrovias gerando assim uma valorização das terras para venda futura. Os trechos mais lucrativos eram os pequenos e médios trechos. A malha ficou extremamente capilarizada.

Já no Brasil sempre foi concessão, muito mais restritiva, mas com um bom relacionamento com o Rei ou com os políticos você poderia conseguir construir algum trecho, para variar. O governo federal decidia quais seriam os trajetos ideais e acabaram sendo mais para defesa de fronteiras do que para desenvolvimento econômico. Com Washington Luis começamos a priorizar as rodovias. Getulio Vargas, além de seguir com essa priorização, nacionalizou o que tínhamos, afastando qualquer intenção de investimento privado no setor.

Ou seja, priorizaram um modal menos estimulante para a economia e proibiam que a iniciativa privada fizesse as ferrovias. Em 1990 abriu-se mais o mercado através de concessão, ou seja, monopólio.

Acima de 400km de distância e acima de 40 toneladas, o trem ganha do caminhão. Em geral, o caminhão trabalharia mais com os pequenos trechos.
Hoje o transporte ferroviário representa 81% na Rússia, 43% nos EUA e 25% no Brasil. O transporte rodoviário, 8% na Rússia, 32% EUA e 58% no Brasil. O Aquaviário, 11% na Rússia, 25% EUA e 17% no Brasil. Esse cenário causa desequilíbrios regionais, falta de integração do território nacional, déficit logístico e altos custos de transporte.
A culpa? Intervenção estatal.


Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social

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