Agrotóxicos, defensivos agrícolas, veneno, como quiser chamar, corremos risco de nos intoxicar ingerindo essas substâncias?
Sem dúvida todo cuidado é pouco, mas seguem aqui algumas informações para entendermos um pouco como é o controle destes elementos no Brasil.
Dizer que somos campeões mundiais no consumo de defensivos é uma abordagem simplista e até irresponsável. Segundo um estudo da Unesp, somos o 11º país, dentre as principais potências do agronegócio, em quantidade de defensivo por tonelada produzida, atrás de EUA, Espanha, França , Canadá e Argentina. Japão é o líder por tonelada de alimento produzida (utiliza 8 vezes mais do que nós).
Temos que lembrar que cada região do mundo exige determinados tipos de cuidados no cultivo. Nossas condições climáticas, país tropical, nos expõe a maior incidência de pragas, além de termos maior número de safras e safrinhas (países mais frios não produzem no inverno e o frio ajuda a matar as pragas). Alimentamos 1.7 bilhão de pessoas com 7.8% da superfície terrestre.
Quando analisamos mais à fundo os casos de morte por intoxicação, notamos que o primeiro grande vilão são os remédios, o segundo, produtos de limpeza, e então os defensivos, e em quase sua totalidade por suicídio (há em média 128 casos de morte por defensivos por ano, 88% é por utilização para suicídio). Segundo a Anvisa, 3% das amostras de alimentos analisadas contém resíduos de defensivos acima do limite estabelecido por lei.
A burocracia mais uma vez se torna nossa inimiga. Levamos mais de 8 anos para aprovar os novos produtos em nosso país, produtos estes que são mais tecnológicos, oferecendo menores danos à saúde e ao meio ambiente.
A fiscalização deve ser cada vez mais intensa, mas não podemos deixar que mitos denigram a nossa indústria mais poderosa e tecnológica, afinal nossa obrigação é alimentar o mundo com qualidade e responsabilidade.

Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social

