O documentário A Terra é Plana, disponível na Netflix, trata de quem são as pessoas que acreditam que o planeta Terra não é redondo.
No filme, o diretor Daniel J. Clark tenta explicar esse fenômeno baseando-se em uma teoria desenvolvida pelos psicólogos Justin Kruger e David Dunning, da Cornell University, nos Estados Unidos.
Para eles, o efeito Dunning-Kruger, como ficou conhecido, é um fenômeno pelo qual “indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos”. É uma espécie de superioridade ilusória, em que a incompetência não permite que reconheçam os próprios erros. Para resumir: o estudo concluiu que quanto maior é a incompetência do sujeito, menos consciente ele é dela.
É este mesmo efeito que cega a esquerda brasileira, incapaz de fazer autocrítica sobre os erros e reformas não realizadas nos governos Lula e Dilma.
O mesmo acontece com os defensores fervorosos do Ministro da Justiça Sérgio Moro e do Procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Força Tarefa da Operação Lava Jato, no caso das conversas publicadas pelo The Intercept.
Por mais que os diálogos demonstrem que houve uma conduta ilícita, absolutamente incompatível com o código de ética da Magistratura, eles insistem em desqualificar o conteúdo (pois alegam que a fonte das informações foi um “hacker”, o que é absolutamente irrelevante do ponto de vista jornalístico) e esculhambar o editor do portal Glenn Greenwald, profissional vencedor de um Oscar e do Pulitzer, o mais importante prêmio outorgado a jornalistas no mundo.
Como explicar para quem acredita que o nazismo é de esquerda, que vacina mata, que a terra é plana, que o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra não foi um torturador, que não houve uma Ditadura no Brasil, que Flávio Bolsonaro e Queiróz são apenas bons amigos, que a Reforma da Previdência irá acabar com os privilégios dos mais ricos, que Moro e Deltan não poderiam agir como justiceiros pois representam a lei?
No Direito, os fins não justificam os meios. Quando a sociedade aplaude um comportamento dos membros do Judiciário como o apontado pelo The Intercept está concordando que a corrupção se justifica, a depender do caso tratado. A velha máxima do “aos amigos os favores, aos inimigos a lei”.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados.
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